terça-feira, 9 de maio de 2017

A subestimada contribuição de Miralem Pjanic

Faz um bom tempo que, quando se pensa o futebol praticado pela Juventus, consegue-se visualizar um modelo. Ainda que tenha sofrido alterações de formação, tanto tática quanto de peças e comando, percebe-se um padrão. A Vecchia Signora é sempre lembrada como uma esquadra primaz na defesa e clínica no ataque. Assim, quando contratou o talentoso bósnio Miralem Pjanic, questionou-se como seria seu encaixe na equipe.

Dotado de visão de jogo incomum, perícia nos passes, mas, para muitos, pouco participativo nas tarefas coletivas e de contenção do jogo adversário, o meia foi durante muito tempo enxergado como alguém que precisaria se dedicar mais aos jogos para chegar ao nível mais alto do futebol. Contudo, essa percepção tem se provado equivocada. Embora muitas vezes a sensação daqueles que o assistem conduza à conclusão de que o camisa 5 passa muito tempo alheio ao jogo, não é essa a realidade dos fatos.

Foto: Reprodução/Juventus.com

Aplicado na marcação e distribuição da bola

A despeito de algumas variações ocorridas durante a temporada e em fases de partidas, Pjanic tem sido sempre titular em uma faixa central que só conta com mais um jogador – Sami Khedira. Nesse contexto, Mario Mandzukic é alternativa pela esquerda, Juan Cuadrado pela direita e Paulo Dybala na ligação do meio com o centroavante Gonzalo Higuaín. Quando comparamos tal formação da meia-cancha com outra que já alinhou atletas como Andrea Pirlo, Arturo Vidal e Paul Pogba, parece claro que o time tem menos força na recuperação da bola. Só parece.

É fácil concluir que Khedira demonstra primazia nessa função. Difícil é ver como Pjanic contribui no setor. Tal complexidade deriva da necessidade de uma análise coletiva da equipe.

A marcação exercida pela Juve é sempre muito compacta. Busca-se dificultar a criação de oportunidades por parte dos adversários, com o encerramento de espaços, e, consequentemente, a indução a erros. Para isso, é fundamental que se ocupe bem o campo. Vem daí o primeiro ponto pró-Pjanic.

O mapa de calor do jogador da partida entre Juventus e Monaco, válida pela UEFA Champions League, demonstra com clareza a extensão da faixa de atuação do bósnio. O jogador circula por todo o meio-campo Bianconeri. É também fundamental para permitir que a bola deixe os zagueiros de forma qualificada. No referido encontro, foi o jogador que mais vezes passou, com 62 toques. Isso elimina, imediatamente, a teoria de que se alheia às partidas. O meia foi, ademais, o segundo atleta do time italiano que mais vezes tentou desarmes, atrás apenas de Alex Sandro.

Foto: Reprodução/Whoscored.com

“Estou com muita raiva de Pjanic, porque ele pode se tornar um dos três melhores meio-campistas do mundo, mas ainda hoje, quando faz um passe errado, age como se fosse o fim do mundo. Ele precisa estar calmo e relaxar, porque seu potencial é apenas parcialmente expressado”, disse Allegri em entrevista coletiva após o jogo no Principado.

Grandeza contra um gigante

Por sua vez, análise semelhante pode ser feita das partidas contra o Barcelona, nas quartas de finais do certame. No jogo de ida, foi o segundo que mais vezes passou a bola, tentou desarmes e, igualmente, o segundo que mais interceptações conseguiu. Seu mapa de calor seguiu padrão semelhante ao apresentado contra os monegascos. Todavia, foi na partida de volta que se notou com ainda mais clareza a importância de Pjanic.

Foto: Reprodução/Juventus.com

No Camp Nou, Pjanic foi brilhante. Consciente de que teria como missão única parar Lionel Messi, Luis Suárez e Neymar, a Juve entrou para consolidar o placar conseguido no jogo de ida (3×0). No encontro, o camisa 5 tentou 15 dos 55 desarmes buscados pela equipe. Foi extremamente combativo e competitivo; provou-se capaz de atuar em qualquer equipe do futebol mundial. Além disso, voltou a ser o atleta da Vecchia Signora que mais participou do jogo, com 55 passes oferecidos.

Sumido? De jeito nenhum!

É claro que, muitas vezes, utilizou-se o verbo “tentar”, o que não quer dizer que o jogador foi exitoso nas ocasiões. Não obstante, para um atleta que, durante a carreira, foi acusado de “sumir” em muitos momentos, tais dados já revelam como é importante e participativo.

No presente caso, as estatísticas só nos servem para confirmar uma realidade que é indiscutível, mas em muitas ocasiões difícil de perceber.

Foto: Reprodução/Juventus.com

Como Pjanic não tem um estilo de jogo baseado no lado físico, não sendo forte e nem veloz, passa impressão equivocada do que realmente consegue praticar. Primaz na saída de bola e extremamente adaptado ao jogo de marcação pressionada, o bósnio se encaixou com perfeição à forma como joga a Juventus. Seu papel é fundamental, embora permaneça à sombra do desempenho individual de jogadores como Dybala, Higuaín, Dani Alves ou Gianluigi Buffon.

Brilhante na Roma, competitivo na Juventus

Quando atuava na Roma, possuía maior liberdade para desenvolver suas habilidades. Então, marcava mais gols e criava assistências, sempre protegido por jogadores como Daniele De Rossi, Radja Nainggolan ou Kevin Strootman. Na Juventus, deu a conhecer seu lado mais competitivo, sem perder as características que lhe são peculiares. Hoje, é o recordista da equipe em passes para gols na temporada, com 10.

Foto: Reprodução/Juventus.com

Atualmente, Pjanic não só joga e faz jogar. Tornou-se eficiente na tarefa de impedir que seu adversário jogue. Por isso, merece aplausos. O trabalho de Allegri na adaptação do bósnio (que acredita ter margem para evoluir ainda mais) é brilhante. Trata-se de uma das chaves para o sucesso de uma equipe que caminha a passos largos para o hexacampeonato italiano e a chegada à final da UEFA Champions League.

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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Barcelona e Real Madrid disputam ponto a ponto o Campeonato Espanhol

Faltando três rodadas, um tropeço de qualquer lado deve decidir a temporada

Com o mesmo número de pontos e já sem o Atlético de Madrid na briga, Barcelona e Real Madrid vão colados nesta reta final. Os dois entram em campo neste fim de semana e são os mais cotados nas casas de apostas de futebol para vencerem mais uma.

A situação mais fácil é a dos merengues, que apesar de estarem na segunda posição, contam com um jogo a menos. Além disso, neste sábado, terão pela frente o fraco Granada, que aparece na penúltima colocação. O adversário é tão inferior que foi derrotado em nove das últimas dez partidas que fez na La Liga. Prato cheio para o Real Madrid que paga R$ 1,13 pela vitória, segundo dados do Oddsshark.com/br. Caso Zinedine Zidane resolva mandar os titulares, pode investir até em uma goleada por quatro gols de diferença, que aumenta o retorno para R$ 2,60. Se poupar pensando no confronto com o Atlético de Madrid, pela Liga dos Campeões, o mais prudente é um triunfo por dois de saldo, que rende R$ 1,32.

A equipe da casa é uma completa zebra e até um empate, que garante R$ 8,50 é pouco provável. Uma vitória, que pagaria inacreditáveis R$ 17,00, então está descartada.

Barcelona joga no Camp Nou

Diferentemente do Real, o compromisso do Barcelona não é nada fácil. A equipe encara o Villarreal, que precisa desesperadamente de um resultado positivo para seguir na briga por um lugar na Liga dos Campeões. Para aumentar o drama, o submarino amarelo vem de três vitórias seguidas – incluindo uma fora contra o Atlético de Madrid. Caso conquistem mais três pontos, dão excelentes R$ 15,00. O empate garante pouco mais da metade e é mais viável, rendendo R$ 8,00.

Com grande elenco, o time da Catalunha ainda vai ter que se virar sem Iniesta, que está lesionado. O clube até é favorito, pagando R$ 1,14, mas não deve ser missão tão fácil. Para este jogo, o recomendável é investir que o Villarreal no máximo perde por dois gols de diferença, que ainda garante 80% de lucro.

 

Valendo vaga na Liga dos Campeões

Outro jogo chave da rodada ocorre entre Sevilla e Real Sociedad, que ainda brigam pela última vaga na Liga dos Campeões. A equipe de Sampaoli é a grande favorita, não só para a partida, como também para ficar entre os quatro primeiros colocados.

Sem perder há 14 jogos em casa, o Sevilla só precisa de mais quatro pontos para conquistar o objetivo. Três deles certamente devem chegar nesta sexta-feira, rendendo R$ 1,73 em cada real, de acordo com estatísticas do Oddsshark.com/br.

Já a situação dos visitantes é mais complicada. Se quiser seguir na luta, vai precisar vencer, o que vale R$ 4,20. O feito nem seria algo tão absurdo, pois aconteceu na temporada passada, mas com um elenco tecnicamente inferior, deve no máximo arrancar um empate no Ramón Sánchez Pizjuán, que garante R$ 4,00.

Gijón tenta escapar do rebaixamento

Dentro da zona de rebaixamento no momento, o Gijón precisa desesperadamente da vitória diante do Las Palmas, em casa. A equipe até vive um longo jejum, de oito jogos sem vencer, mas tem boas chances neste sábado, dando R$ 1,53 em cada real. Isso porque o adversário apenas cumpre da tabela e vem de terríveis goleadas, de 5 a 1 para o Athletic Bilbao, 3 a 0 do Las Palmas e 5 a 0 diante do Atlético de Madrid.

Com isso, vale investir em um sopro de esperança para o time da casa. Correndo por fora, os visitantes dão R$ 4,33 pelo empate e R$ 5,50 por um triunfo, que não acontece há quatro jogos.

Bilbao embalado

Outro bom investimento é o Athletic Bilbao. O clube ganhou seus últimos quatro jogos e como está na luta por um lugar nas competições europeias deve carimbar mais uma, dando R$ 1,70 em cada real. O oponente da vez é o Alavés, que até joga no seu Estádio, mas também em ritmo de férias não deve ser uma ameaça. Caso surpreenda, paga R$ 3,80 em um empate e R$ 4,75 pela vitória.

 

Confira demais partidas da 36ª rodada do Campeonato Espanhol, segundo números do Oddsshark.com/br.

Atlético de Madrid (R$ 1,29) x (R$ 10,00) Eibar. Empate: R$ 5,50

Valencia (R$ 1,22) x (R$ 13,00) Osasuna. Empate: R$ 5,75

La Coruña (R$ 2,00) x (R$ 3,80) Espanyol. Empate: R$ 3,30

Málaga (R$ 1,45) x (R$ 7,50) Celta de Vigo. Empate: R$ 4,20

Leganés (R$ 1,62) x (R$ 5,50) Betis. Empate: R$ 3,80

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quarta-feira, 3 de maio de 2017

Flamengo e Atlético-PR podem confirmar classificação na Libertadores em casa.

Rubro-negros só precisam vencer em dia recheado de brasileiros na competição

Que quarta-feira movimentada temos na Copa Libertadores. São cinco brasileiros em campo e todos podem terminar o dia com a classificação garantida. De todos, as missões mais fáceis são as de Flamengo e Atlético-PR, que jogam em casa. Porém, o Palmeiras também aparece bem cotado nas casas de apostas de futebol e mira o primeiro lugar da chave.

Começando pelo grupo 4, o Flamengo é o grande favorito diante do Universidad Católica. Os cariocas fazem um bom ano, apesar de ainda não terem vencido fora de casa na competição. No entanto, como a partida é no Maracanã, a vitória ronda o clube e garante R$ 1,36 em cada real, segundo dados do Oddsshark.com/br

Mesmo com desfalque de Diego e as preocupações com as condições de Guerrero e Everton, uma derrota no Rio seria uma enorme zebra e vale inacreditáveis R$ 8,50. Com um futebol fraco até aqui, que basicamente só teve uma bola no Chile contra o Flamengo e que só assustou o Atlético-PR em poucos minutos, os chilenos correm por até em um empate, que rende R$ 4,75.

Qualquer um destes resultados levaria a decisão da vaga para a última rodada. Caso o rubro-negro carioca saía vitorioso, precisaria torcer para que o San Lorenzo não ganhe seu jogo para avançar.

Atlético-PR busca resgatar a força da Arena

Depois de perder a invencibilidade no seu estádio diante do Coritiba, o Atlético-PR precisa se recompor rapidamente pois decide sua classificação contra o San Lorenzo. Se for derrotado, o que vale R$ 3,30, fica em situação delicadíssima para a última rodada.

Por isso, a vitória é fundamental e é o esperado para o duelo. O Furacão, que já mostrou a força da sua Arena contra o Flamengo, deve repetir a dose nesta quarta-feira e paga R$ 2,25 por um triunfo. Do outro lado, os argentinos que ganharam vida após superarem o Universidad Católica, tentam dar o troco da derrota na segunda rodada, mas devem no máximo arrancar um empate, que dá R$ 3,10 para cada real.

O placar ainda sim seria terrível para o San Lorenzo, que teria que tirar cinco gols de saldo no último compromisso da fase de grupos.

Palmeiras busca primeiro lugar

Fazer dois jogos seguidos fora de casa nem sempre é bom, mas no caso do Palmeiras a sequência acabou sendo ideal. Como foi eliminado no Paulistão, não sofreu com o desgaste de viajar e jogar no final de semana, e agora pode garantir o primeiro lugar direto da Bolívia.

Para isso, precisa apenas de um empate com o Jorge Wilstermann, que garante R$ 3,25 por R$ 1,00 e é o meu palpite para o confronto. Como sabe que ainda tem outra partida na chave no Allianz Parque, o clube entra sem pressão e pode até sair vitorioso, dando R$ 3,25, de acordo com estatísticas do Oddsshark.com/br. Já os bolivianos, que estão 100% em casa, pagam o mesmo valor se ganharem mais uma.

Grêmio defende invencibilidade

Sem ter sido derrotado na Libertadores até aqui, o Grêmio vive situação parecida com a do Palmeiras. Pode confirmar o primeiro lugar nesta quarta-feira desde que vença, dando R$ 2,50 em cada real. Porém, a missão não vai ser nada fácil.

Os gaúchos encaram o Deportes Iquique, no Chile e tem pela frente um adversário que vive bom momento e com faro de gols. Nos últimos dois jogos do rival, foram duas vitórias e oito gols marcados. Isso dificulta bastante as coisas, principalmente porque o time de Renato Gaúcho não conta com um elenco fora de série. Jogando longe de casa, corre por fora e o mais indicado é investir nos chilenos, que pagam R$ 2,80 em cada real. O empate é algo mais alcançável e rende R$ 3,25.

Atlético-MG encara lanterna do grupo

Ainda dependendo de um tropeço do Libertad, o Atlético-MG pode é encaminhar nesta quarta-feira sua classificação e tem grandes chances para isso. A equipe encara o modesto Sport Boys, que tem apenas um ponto e está praticamente eliminado.

Mesmo fora, os mineiros têm condições de vencer, garantindo R$ 1,53 em cada real. No entanto, como o jogo é na Bolívia, o mais indicado é a dupla-chance, que rende 14% de lucro. Isso porque embora ainda não tenha vencido na competição, os bolivianos fizeram jogos duros contra seus rivais e podem segurar um empate, dando R$ 4,20. Já um triunfo é uma missão mais distante, rendendo R$ 5,75, segundo números do Oddsshark.com/br.

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terça-feira, 2 de maio de 2017

Nunca duvide: Fred nasceu para marcar gols

 

Passou-se quase um ano desde que Frederico Chaves Guedes, o Fred, retornou às Minas Gerais. Ao contrário do que muitas vezes se imaginou, não voltou para representar as cores do Cruzeiro ou do América, clubes por onde passou em sua juventude. Experiente e calejado, muitas vezes rotulado, mas vitorioso, o goleador aceitou uma proposta que trouxe consigo alguns desafios: não só teve de lidar com o peso de atuar no arquirrival de um time em que era ídolo, como também chegou a uma equipe cujo ataque já contava com as estrelas de Robinho e do argentino Lucas Pratto.

Se havia alguma dúvida ou ressalvas por parte do torcedor do Galo sobre a lealdade que Fred trazia consigo ao clube, esta não sobreviveu por muito tempo. Em sua estreia pelo Alvinegro, na primeira vez em que teve o Estádio Independência como casa sem defender as cores americanas, o ilustre teófilo-otonense foi às redes. Contra quem? O grande rival atleticano, Cruzeiro. Ao final, a vitória não veio, contudo, a certeza de que coisas boas estavam por vir, sim.

 

É bem verdade que o Campeonato Brasileiro de 2016 foi decepcionante para o torcedor do Atlético. Da briga pelo título ao distante quarto lugar (18 pontos atrás do campeão Palmeiras), o time voltou a desiludir seu torcedor. O consolo que poderia vir na Copa do Brasil também não veio: o Galo foi inferior ao Grêmio nas finais e o clube gaúcho mereceu se isolar na liderança dos maiores vencedores do certame. Todavia, quanto a isto há um importante dado a considerar: Fred não pode disputar a competição; havia atuado previamente pelo Fluminense.

Teria sido a história diferente caso o artilheiro estivesse lá? Talvez. Quem pode dizer?

Seus números não mentem

Foto: Bruno Cantini / Atlético

Não se duvida, entretanto, dos números do goleador. Mais uma vez artilheiro do Campeonato Brasileiro, a terceira de sua carreira, aos 33 anos, o brasileiro se mostrou on fire. Mais que isso, muitas vezes relegou o excepcional e selecionável argentino Pratto à reserva – o que é passível de uma discussão que não cabe aqui.

 

Em 28 jogos, marcou 12 vezes pelo Atlético. Considerando que os gols do time foram muito distribuídos (Robinho também anotou 12 tentos, Juan Cazares seis, Pratto cinco, Clayton e Jr. Urso quatro), o recorde se torna ainda mais relevante.

2017

O ano virou, as mágoas foram se dissipando aos poucos e algumas coisas mudaram. A principal delas sido a troca do identificado treinador Marcelo Oliveira pelo promissor Roger Machado. Logo, também ficou clara a preferência do comandante por Fred em detrimento de Pratto. O argentino, ansiando a disputa da Copa do Mundo de 2018, com muita dignidade deixou o clube e partiu para o São Paulo.


Leia mais: São Paulo contrata a instituição Lucas Pratto


Desde o começo do ano é difícil argumentar qualquer coisa negativa com relação a camisa 9. O goleador vive momento de rara inspiração; Fred e gol voltaram a firmar um pacto de sangue, selando, mais uma vez, um vínculo incrível.

A prova disso é o fato de que muitas vezes, aos olhos de quem está do lado de fora do campo, Fred parece alheio ao jogo, estático em meio às zagas rivais. Todavia, ao menor descuido tem feito valer seu combinado com as redes. Aliás, também tem sido garçom: já proveu três assistências (na temporada completa de 2016, foram cinco).

Foto: Bruno Cantini / Atlético

Destaques

Em 2017, já disputou 16 jogos e balançou as redes 16 vezes. Há, aliás, aparições que merecem o devido destaque. Na 4ª rodada do Campeonato Mineiro, contra o América, a famigerada “Lei do Ex” foi implacável: Fred superou o ótimo goleiro João Ricardo três vezes, fazendo, pois, seu primeiro hat-trick representando o Alvinegro.

 

Pouco depois, já na Copa Libertadores da América, foi o herói em um jogo dificílimo. Ao contrário do que o placar final sugere – 5×2 para o Atlético – o encontro contra o Sport Boys, da Bolívia, teve contornos de tragédia em grande parte da partida. Conquanto tenha aberto o placar com Robinho, logo aos quatro minutos de jogo, o Galo sofreu a virada e até os 26 minutos do segundo tempo viveu uma verdadeira agonia. Eis que apareceram Fred e seus quatro gols. Sim, quatro gols.

“É um jogador de altíssimo nível, como tem mostrado nesse começo de temporada. Não precisa de muitas oportunidades para fazer o gol. Essa é a grande qualidade do centroavante de alto nível, não precisa de muitas oportunidades para fazer os gols”, disse Roger Machado em entrevista coletiva após o jogo contra o Sport Boys.

 

No Estadual, o artilheiro finalizou 23 vezes, conseguindo 10 tentos, ou seja, precisa de praticamente duas ocasiões apenas para marcar um gol. Na disputa continental, o recorde é semelhante: são 12 finalizações e cinco gols. Por último na Primeira Liga tem um gol marcado em duas finalizações. O que mais se pode fazer diante disso senão aplaudir Fred? Nem mesmo uma expulsão estúpida contra o Cruzeiro consegue afastar tal realidade.

Palmas para Fred

 

Aos 33 anos, o goleador voltou a viver excelente momento. Após passar anos no Fluminense, viver um passado com algumas polêmicas, e chegar ao Galo trazendo questões importantes, Fred mostra que está concentrado apenas em marcar gols e prolongar ao máximo sua trajetória como algoz dos goleiros rivais.

Hoje, prova, mais uma vez, para os incrédulos e críticos que se há alguém no futebol brasileiro com expertise na missão de fuzilar as metas adversárias, este é ele.

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Felipe Melo se perdeu no personagem

Quantas personalidades uma pessoa pode ter? Fernando Pessoa, por exemplo, tinha quatro heterônimos. Jack, personagem de Edward Norton em “Clube da Luta”, criou Tyler Durden em sua cabeça, de forma que passou a confundir o que era real ou não.

E criar um personagem? Muhammad Ali era conhecido por fazer jogos psicológicos com seus adversários. Nas entrevistas se tornava um falastrão, provocava, mas tudo calculado, estratégico. Tirava o rival do sério e promovia a luta.

Em tempos de grande cobertura midiática e, principalmente, redes sociais, existe uma enorme exposição. Nem todos são sob os holofotes a mesma pessoa que costumam ser em seus momentos privados. Alguns se tornam personagens, vendem aquilo que acreditam ser melhor, talvez até como uma ferramenta de defesa.

Encenado ou não, Felipe Melo gosta de ter uma imagem de polêmico, de quem diz o que pensa, bate na mesa e, se precisar, dá tapa na cara. Talvez seja marketing, talvez seja sua personalidade, mas se trata de algo que atrapalha seu futebol quando confunde o atleta com o personagem.

Foto: Divulgação/Ag. Palmeiras – Felipe Melo é uma das lideranças do Palmeiras

Felipe é o tipo de centro-campista que o futebol atual exige. Grande marcador e dono de um passe muito bom. Consegue tomar conta do meio campo. Poderia ter jogado mais tempo em alto nível na Europa, por exemplo. Bola para isso ele tem, mas deve ser difícil fugir da imagem que criou.

Tenho como exemplo a Copa do Mundo em 2010. O volante saiu da África do Sul como vilão, marcado pela expulsão diante da Holanda. Pagou o preço de uma seleção que era semelhante ao técnico, explosiva e pressionada. Quando as coisas saíram do eixo, o time ruiu. Melo pagou o preço, mas poucos se lembram de que fazia um bom Mundial até então. Diante dos holandeses, teve um primeiro tempo impecável, com direito a uma belíssima assistência para o gol de Robinho.

As críticas podem ter ajudado a moldar o Felipe Melo cascudo. Na volta ao Brasil, o jogador parece se sentir obrigado a confrontar tudo e todos, como se precisasse disso para ser respeitado.

O fato é que toda ação gera uma reação. No episódio com o Peñarol ficou evidente isso. Nada justifica a atitude do time uruguaio, tampouco a suposta emboscada, mas alguém esperava por algo que não fosse um clima bélico em Montevidéu? Tanto que o Palmeiras levou uma tropa de seguranças com a delegação. Se não fosse pelo staff palestrino, talvez a história tivesse sido muito pior.

Foto: Divulgação/Ag. Palmeiras – Melo é o “dono”do meio campo palestrino

Antes de dizer que a tal promessa de tapa na cara não foi algo literal, tente enxergar a situação de maneira oposta. Imagine que um jogador uruguaio desse tal declaração. Provavelmente não seria recebido com rosas, concorda?

Menos de uma semana após a confusão na margem oriental do Rio da Prata, Felipe Melo se vê em outra polêmica. Dessa vez gravou um vídeo pedindo “pau nos vagabundos” que fizeram greve na última sexta-feira e declarando voto a Jair Bolsonaro, possível candidato à eleição presidencial do próximo ano.

Me parece irônico que alguém que ganhe num mês algo que um trabalhador comum receba em, digamos, duas décadas queira esbravejar contra o direito das pessoas poderem protestar e lutar por seus direitos. Da mesma maneira que é um direito de Melo expor seu pensamento, algo conquistado pela luta de muitos “vagabundos”, segundo a visão do palmeirense, que lutaram pela democracia e a liberdade.

Também chama a atenção ver alguém que diz ter sido chamado de macaco pelos uruguaios declarando voto num político que prega um discurso de ódio, inclusive com declarações racistas. Mas, enfim, vivemos em um Estado democrático e podemos votar em quem quisermos, até mesmo em quem não é um grande fã da democracia.

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