quarta-feira, 10 de junho de 2020

La Liga 2019/20 – O Retorno!

Campeonato Espanhol retorna após paralisação devido à pandemia

Depois de um intervalo forçado de três meses, em função da pandemia da Covid-19, a temporada 2019/20 de La Liga será retomada, a partir dessa quinta-feira, 11 de junho; com El Gran Derbi, o clássico sevilhano entre Sevilla x Betis. Faltando 11 rodadas para o final, a atual temporada apresenta a polarizada briga pelo título entre Barcelona e Real Madrid; uma interessante disputa pelo terceiro e quarto lugar e consequentemente a classificação para a UEFA Champions League (entre Sevilla, Real Sociedad, Getafe, Atlético de Madrid e Valencia), além de um grupo de clubes que lutam por uma das três vagas à UEFA Europa League (Villarreal, Granada e Athletic Bilbao). Na ponta de baixo, as próximas rodadas também prometem muitas emoções.

Barcelona ou Real Madrid: um deles será o campeão!

No topo da tabela, os eternos rivais da Espanha, novamente lutam pelo título da temporada. O Barcelona lidera com dois pontos de vantagem. Com uma temporada distópica, o clube blaugrana tem encontrado dificuldades jogando fora do Camp Nou (em 13 jogos como visitante, venceu cinco, empatou três e perdeu cinco partidas).

Na ponta da tabela, o Barcelona busca o tricampeonato de La Liga (Foto: David Ramos)

Com 31 gols sofridos (sexta melhor defesa da competição), o sistema defensivo tem sido uma das dores de cabeça. Felizmente para o torcedor do Barça, Messi tem entrado em ação, tirando muitos “coelhos da cartola”, juntamente com Luis Suarez, a dupla é responsável por 30 dos 63 gols da equipe até aqui. Com Suarez recuperado de lesão, o Barcelona ganha um importante reforço para essa reta final do campeonato.

A dupla Messi-Suarez é sinal de gols e mais gols (Foto: Alex Caparros)

Do outro lado, na cola dos barcelonistas vem o Real Madrid. Com a melhor defesa da competição (19 gols sofridos), sendo também a que menos vezes perdeu (apenas três derrotas); entretanto o outrora poderoso ataque madridista, anotou “apenas” 49 gols na competição e justamente a dificuldade em “matar” jogos tranqüilos, em casa (quatro empates), tem colocado o cube na atual situação, correndo atrás do Barcelona.

Para voltar a comemorar o título espanhol, o Real Madrid precisa ser mais regular em casa (Foto: Quality Sport Images)

Na conta dos resultados considerados catastróficos estão os empates com Celta (2-2) e Real Valladolid (1-1), adversários que estão na parte inferior da tabela. Por isso, o retorno de Hazard é importantíssimo nesta reta final da competição.

Recuperado de lesão, Eden Hazard é a aposta merengue na reta final (Foto: Alejandro/DeFodi Images)

A briga pelas outras duas vagas a UEFA Champions League e Europa League

A corrida pelo título está restrita aos dois maiores clubes da Espanha, que conseqüente e naturalmente participarão da próxima edição da UEFA Champions League. Entretanto há uma interessante e emocionante disputa pelo terceiro e quarto lugar, que garantem vaga direta na fase de grupos do principal interclubes do planeta, com cinco equipes no páreo por estas vagas.

Atual terceiro colocado, o Sevilla incorporou, no início da temporada, 15 novos jogadores a disposição do (então) novo treinador, Julen Lopetegui. Após um início de temporada irregular, o Sevilla teve um mês de novembro acima das expectativas, desafiando a dupla Real Madrid e Barcelona, na briga pela liderança, perdendo fôlego na sequência.

O Sevilla de Julen Lopetegui vem sendo um dos destaques da liga (Foto: Pressinphoto/Icon Sport)

Na cola do Sevilla, vem a Real Sociedad, uma das boas surpresas da temporada até a pausa. A equipe de San Sebástian conta com jovens talentos combinados com contratações que se mostraram precisas, com destaque para o jovem norueguês Martin Ødegaard, emprestado pelo Real Madrid, que vem sendo tranquilamente um dos melhores do campeonato. Entretanto, observando o cenário inédito imposto pela pandemia, a dúvida é acerca de como a Real Sociedad retornará na competição.

Com um futebol ofensivo e de toque de bola, a Real Sociedad é outra boa surpresa (Foto: Juan Manuel Serrano Arce)

Outra agradabilíssima surpresa da temporada 2019/20 de La Liga e que está na briga por uma vaga na Champions é o Getafe. Treinado por Jose Bordalas, o clube apostou na manutenção da base que terminou em quinto lugar na temporada passada. Tal aposta oferece resultados expressivos em campo, com a equipe fazendo sua melhor temporada da sua história e que conta com o experiente atacante Angel (10 gols) como um dos destaques do time. Com um elenco mais modesto, a pergunta que fica é justamente se nessa reta decisiva, o Getafe conseguirá se manter no topo.

Após surpreender na temporada passada, o Getafe segue sonhando com voos mais altos (Foto: Perez Meca/MB Media)

Atualmente na sexta colocação, um ponto da zona de classificação para a Champions, o Atlético de Madrid teve muitas mudanças, perdendo jogadores importantes (Griezmann, Lucas Hernandez, Felipe Luis, Godin e Rodri); por outro lado, o clube trouxe jogadores promissores, mas que talvez, ainda careçam de um período maior de adaptação e isso talvez explique a dificuldade encontrada pelos comandados de Diego Simeone.

Correndo risco de ficar fora da UCL, Diego El Cholo Simeone tem missão difícil pela frente (Foto: Pressinphoto/Icon Sport)

Com jogos difíceis contra Barcelona, Getafe e Real Sociedad; o Atlético de Madrid tem sofrido com as lesões no elenco e precisa melhorar bastante o rendimento coletivo, sob o risco de ficar ausente da Champions. Recuperado de lesão, as esperanças recaem sobre o jovem português João Felix, esperando que este consiga uma sequência de partidas, sem lesões.

Nesta reta final, os Cochoneros depositam esperanças em João Felix (Foto: Pressinphoto/Icon Sport)

Sétimo colocado, um pouco distante do pelotão de frente, mas com possibilidades de recuperação, o Valencia, no início da atual temporada, era apontado como o time que poderia melhor se aproveitar do processo de renovação de Atlético e Sevilla. Entretanto, na prática as coisas não saíram conforme o previsto, desde polêmica demissão do treinador Marcelino García Toral, que gerou uma crise interna. Se no Mestalla, o Valencia segue invicto, fora de casa, a campanha é ruim. Nesse retorno das atividades, uma baixa é certa: Ezequiel Garay, com lesão no joelho, está fora do restante da temporada.

Matematicamente na briga, o Valencia luta contra sua instabilidade (Foto: Miguel Fernandez/NurPhoto)

Na ponta de baixo, uma disputa que promete!

A batalha pelo rebaixamento também reserva grandes emoções, com praticamente seis clubes lutando para não estarem entre os três relegados. Quatro pontos a frente da zona de rebaixamento, o Real Valladolid lutará para permanecer na principal divisão. Com seis gols e duas assistências, o meia-atacante Sergi Guardiola é um destaque, bem acima de média, da equipe.

Próximo da zona de descenso, o Real Valladolid luta para seguir na elite (Foto: Pressinphoto/Icon Sport)

Décimo sexto colocado, o Eibar é um dos clubes humildes da primeira divisão espanhola. Ciente que a força da torcida foi importante até a parada, resta saber como o clube volta, especialmente nos jogos como mandante. Com sete gols e seis assistências, o chileno Fabian Orellana é o principal jogador da equipe.

O chileno Fabian Orellana é o sopro de criatividade no Eibar, na luta para seguir na primeira divisão (Foto: Quality Sport Images)

No limiar da zona de rebaixamento, o tradicional Celta de Vigo, repete a temporada passada, ou seja, brigando contra o rebaixamento. Antes da parada, os comandados do treinador Oscar García Junyent tinham um péssimo aproveitamento fora de casa. A esperança, assim como na temporada passada recaí novamente sobre Iago Aspas, principal jogador da equipe com nove gols.

O Celta, de campanha decepcionante têm no talento de Aspas, a esperança para fugir do rebaixamento (Foto: Quality Sport Images)

Abrindo a zona de rebaixamento, o Mallorca tem campanha irregular em casa e desastrosa fora. Com nove gols, o bósnio Ante Budimir é o artilheiro do time, que tem uma missão complicada nos 11 jogos restante, enfrentando os três primeiros colocados e confrontos diretos contra Leganes e Celta de Vigo para fugir do descenso.

O bósnio Budimir é o grande destaque de um Mallorca que não consegue emplacar (Foto: Juan Manuel Serrano Arce)

Penúltimo colocado, o Leganés, do conhecido treinador mexicano Javier Aguirre terá pela frente a missão de permanecer na divisão de elite espanhola, onde está desde a temporada 2016/17. Com apenas cinco vitórias, a missão é complicadíssima. O destaque é o jovem Oscar Rodriguez (emprestado pelo Real Madrid), com sete gols e duas assistências.

Oscar Rodriguez é o sopro de vida de um Léganes que “respira por aparelhos” (Foto: Perez Meca/MB Media)

Último colocado, seis pontos atrás da “zona de salvação”, o Espanyol tem pela frente uma missão dramática para evitar a queda, após 25 anos seguidos na elite espanhola. Com apenas quatro triunfos, sendo um único em casa; o Espanyol “respira por aparelhos”. Com um desempenho abaixo da média, o clube azul e branco de Barcelona precisa muito mais que os quatro gols de Raul de Tomás, artilheiro da equipe na atual temporada de La Liga.

Em situação extremamente delicada, o Espanyol é o lanterna (Foto: Quality Sport Images)

A Artilharia

Com 19 gols em 22 jogos, Lionel Messi lidera a tabela de artilheiros. O camisa 10 do Barcelona possui a incrível marca de 438 gols em 474 jogos (média de 0,92 gols/partida) na primeira divisão espanhola. Em segundo lugar vem o francês Karim Benzema, do Real Madrid, com 14 gols em 26 jogos. Com 11 gols aparecem, Luis Suarez (17 jogos), Gerard Moreno (25 jogos) do Villarreal, Lucas Pérez (26 jogos) do Alavés e Roger Martí (26 jogos) do Levante; completam a relação dos goleadores.

Os reis das assistências

Além de liderar a artilharia, Messi também comanda a lista dos assistentes, com 12 passes para gols, tendo participação decisiva em 31 dos 63 gols do Barcelona. Com oito assistências, Cristian “Portu” aparece na segunda posição. Com sete passes para gols, temos Luis Suarez, Rodrigo Moreno (Valencia) e Roberto Torres (Osasuna).

Atrás de Messi, Cristian “Portu” é o humano que “lidera” as assistências (Foto: Pressinphoto/Icon Sport)

Olho neles!

Um dos maiores campeonatos do Mundo, La Liga é sempre um tradicional celeiro de jogadores, desde os experientes, até os jovens é um campeonato que sempre oferta aos amantes do futebol, grandes performances. Apontamos algumas gratas revelações que merecem atenção nestas 11 rodadas restantes.

Martin Ødegaard

Após duas temporadas no futebol holandês, Ødegaard chegou em La Liga emprestado pelo Real Madrid para a Real Sociedad, uma das sensações do campeonato. Titular absoluto, o jovem talento norueguês (21 anos) anotou quatro gols e fez cinco assistências, mas muito mais que isso, coloca uma dinâmica de criatividade, com muita visão de jogo, em favor da equipe de San Sebastian.

Ødegaard é o craque da Real Sociedad (Foto: Juan Manuel Serrano Arce)

Ansu Fati

Nascido na Guiné-Bissau e naturalizado espanhol, Ansu Fati, de apenas 17 anos, atuou em 16 partidas, sendo sete como titular. Com quatro gols e uma assistência, nos 683 minutos que jogou. Num Barcelona que ainda busca um companheiro ideal para a dupla Messi/Suárez, Ansu Fati pode ser uma aposta interessante, justamente pela compreensão tática nesse aspecto, em relação aos principais jogadores do time.

Em fase de lapidação, Ansu Fati têm tudo para seguir o caminho dos grandes jogadores da história (Foto: Pressinphoto/Icon Sport)

Fede Valverde

Com muita intensidade e qualidade, o uruguaio Fede Valverde, 21 anos, tem 1266 minutos em campo, resumidos em 22 jogos, sendo 14 como titular, números que o colocam como um dos centrocampistas de confiança do treinador Zinedine Zidane. Além do mais, Valverde marcou dois gols e fez quatro assistências, resumo de um talento que cada vez se firma mais no time.

Sob a batuta de Zidane, o jovem uruguaio Fede Valverde vai ganhando espaço no Real Madrid (Foto: TF Images)

Unai Simón

Após sete jogos na temporada passada, Unai Simón, 22 anos é o titular  absoluto e um dos destaques do Athletic Bilbao na atual temporada, com 24 jogos; comprovando a tradicional qualidade do clube de Bilbao em revelar bons valores.

Mantendo a tradição basca de grandes goleiros, Unai Simón é dono do arco do Athletic (Foto: Quality Sport Images)

Lucas Ocampos

No bom Sevilla de Julen Lopetegui, atual terceiro colocado, o argentino Lucas Ocampos, 25 anos é um dos principais nomes, em sua primeira temporada em terras espanholas. Extremamente intenso, já anotou 10 gols e fez duas assistências em La Liga.

O argentino Ocampos vem fazendo grande temporada no Sevilla (Foto: Javier Soriano/AFP)

Mohammed Salisu

Formado na base do Valladollid, o ganês Salisu, 21 anos é titular absoluto da defesa. Exímio cabeceador, também tem se destacado pelo poder de recuperação. Na temporada disputou todos os 27 jogos, marcando um gol e dando uma assistência. A regularidade de suas atuações vem chamando a atenção de outros clubes na Europa.

Salisu é mais um futuro promissor defensor da escola ganesa de bons nomes na posição (Foto: Juan Manuel Serrano Arce)

Os grandes jogos antes da parada

Athletic Bilbao 1-0 Barcelona

Logo na primeira rodada, os atuais bicampeões de La Liga foram no País Basco, sem Messi para um jogo dificílimo. Aos 44 minutos, Aduriz fez um golaço, digno de Prêmio Puskas.

Sevilla 0-1 Real Madrid

Na quinta rodada, os merengues viviam um clima de pressão devido o mau começo de temporada. Com atuação discreta das estrelas, Karim Benzema garantiu a vitória e o fim de um tabu de quatro anos sem vencer no Ramón Sánchez Pizjúan.

Sevilla 3-2 Real Sociedad

A sétima rodada viu um grande jogo, com ambas as equipes jogando um futebol de bom toque de bola e para cima. Coube aos comandados de Julen Lopetegui buscarem a virada e uma vitória importante.

Atlético de Madrid 0-1 Barcelona

Na 15ª rodada, no Wanda Metropolitano, jogo extremamente disputado e complicado para o Barcelona. Porém, Ter Stegen garantiu atrás e o Barça tem Lionel Messi e o camisa 10 novamente decidiu mais um clássico.

Real Sociedad 2-2 Barcelona

Na Reale Arena, em San Sebastian, o Barcelona visitou, pela 17ª rodada a Real Sociedad, num confronto esperado pela qualidade técnica de ambas as equipes. Em campo, um jogo muito bem disputado, com muitas alternâncias e o brilho da estrela do jovem sueco Alexander Isak, empatando o jogo.

Espanyol 2-2 Barcelona

A 19ª rodada viu um clássico de opostos, de um lado, o líder Barcelona visitando o lanterna Espanyol. Jogo que fez jus ao termo clássico; um empate amargo para o clube blaugrana e com gosto de vitória para o Espanyol.

Real Madrid 1-0 Atlético de Madrid

Em mais um clássico madrilenho, a “sorte sorriu” para o lado merengue contra os cochoneros. Após um primeiro tempo muito disputado, Zidane fez alterações pontuais e Karim Benzema garantiu os três pontos.

Real Madrid 2-0 Barcelona

No maior clássico da Espanha, quem brilhou foi o brasileiro Vinicius Junior, que abriu o caminho para a vitória e aos 19 anos e 233 dias, se tornou o mais jovem jogador a fazer gol no clássico.

Jogos que prometem nesse retorno de La Liga

Faltando 11 rodadas para o final do campeonato e com inúmeras situações em jogo, de uma das temporadas mais equilibradas dos últimos anos, a expectativa é de jogos interessantes. Selecionamos para cada uma das rodadas restantes, algumas partidas para ficar de olho!

28ª Rodada

Na reabertura de La Liga, olho no derbi sevilhano entre Sevilla e Real Betis. Em terceiro lugar na tabela o Sevilla recebe no Ramon Sachez-Pizjuán o arquirrival Real Betis (12º colocado), necessitando vencer para manter a posição na tabela.

O Derbi Sevillano reabre a temporada 2019/20 de La Liga (Foto: Cristina Quicler/AFP)

Outro clássico local que promete um bom jogo é o derbi da cidade de Valencia, conhecido como derbi del Turia. No Mestalla, um Valencia (7º colocado) que não pode perder pontos (principalmente em casa), receberá o perigoso Levante (13º colocado).

O Derbi del Turia é o clássico da cidade de Valencia (Foto: Jose Jordan/AFP)

29ª Rodada

Em Madrid, o Real receberá o Valencia, em jogo que promete, com um brigando pelo título e o outro por uma vaga nas copas europeias. No primeiro turno, os valencianos venceram por 2×1.

Ezequiel Garay e Rodrygo disputam bola em jogo que o Valencia levou a melhor (Foto: Jose Jordan/AFP)

30ª Rodada

Rodada que promete ser chave. No Ramon Sanchez-Pizjuán, o Sevilla receberá o Barcelona em jogo-chave para ambos. No primeiro turno, com grande atuação de Messi, os catalães golearam por 4×0.

No turno, um “imparável” Messi conduziu o Barça a goleada (Foto: Josep Lago/AFP)

Uma das sensações do campeonato, a Real Sociedad recebe no Anoeta, o Real Madrid, em outro jogo que promete fortes emoções. No primeiro turno, no Santiago Bernabeu, vitória merengue por 3×1.

Carvajal cabeceia a frente de Oyarzabal, na vitória merengue ante a Real Sociedad (Foto: Pierre-Philippe Marcou)

31ª Rodada

Olhos voltados para Barcelona, onde o Barça receberá o Athletic Bilbao, historicamente um grande jogo, de uma rivalidade que remota a década de 1920. Tamanha rivalidade traz a importância de Clássico para este jogo. No primeiro turno, vitória basca por 1×0.

Na abertura de La Liga, o Barça conheceu uma de suas cinco derrotas no campeonato (Foto: Ander Gillenea/AFP)

32ª Rodada

Destaque para o Derbi de la Comunidad, considerado o jogo mais importante da Comunidade Valenciana. No El Madrigal, o Villarreal receberá o Valencia. No primeiro turno, no Mestalla, o Valencia venceu por 2×1.

No primeiro turno o Villarreal levou a melhor, fora de casa (Foto: Jose Jordan/AFP)

33ª Rodada

No Camp Nou, o Barcelona receberá o Atlético de Madrid, em jogo que pode ser decisivo para as pretensões de ambas as equipes no campeonato. No primeiro turno em Madrid, vitória blaugrana por 1×0.

Cena comum no duelo, Messi comemorando mais um gol sobre os cochoneros (Foto: Gabriel Bouys/AFP)

34ª Rodada

O Real Madrid viaja até o País Basco para jogo sempre complicado ante o Athletic Bilbao. No primeiro turno, jogo pegado no Santiago Bernabeu que terminou sem gols.

No primeiro turno, Real Madrid e Athletic não balançaram as redes (Foto: Javier Soriano/AFP)

35ª Rodada

Destaque para o derbi catalão, com o Barcelona recebendo o Espanyol. No primeiro turno, em jogo emocionante, empate em dois gols.

No Derbi Catalão, o Espanyol buscou um empate surpreendente contra o rival Barcelona (Foto: Pau Barrena Capilla/AFP)

36ª Rodada

Sempre ofensivo atuando em casa, o bom time do Villarreal receberá a Real Sociedad em partida que promete ser muito bem disputada levando em consideração os aspectos técnicos de ambas equipes. No primeiro turno o time amarelo, fora de casa, surpreendeu vencendo por 2×1.

No turno, em bom jogo, o Villarreal surprendeu a Real Sociedad de William José (9) (Foto: Ander Gillenea/AFP)

37ª Rodada

Rodada com expectativa de bons jogos! Em Madrid, o Real receberá o Villarreal. No primeiro turno houve empate em dois gols.

Num dos poucos bons jogos de Bale na temporada, os merengues empataram com o Villarreal (Foto: Juan Medina/Reuters)

Em San Sebastian, a Real Sociedad terá pela frente o Sevilla. Na Andaluzia, no primeiro turno, num dos melhores jogos da liga os sevilhanos venceram por 3×2.

No primeiro turno, Sevilla e Real Sociedad fizeram ótimo jogo. Espera-se que repitam a dose (Foto: Cristina Quicler/AFP)

Outro jogo que merece destaque é o Getafe recebendo no Coliseum Alfonso Pérez o Atlético de Madrid. No Wanda Metropolitano, no turno os cochoneros venceram pela contagem mínima.

Morata cobra o pênalti que deu a vitória ao Atlético sobre o Getafe (Foto: Javier Soriano/AFP)

38ª Rodada

A última rodada pode ser a decisiva e terá os principais candidatos ao título atuando fora de casa. No Mendizorroza, o Alavés receberá o Barcelona. Já no Municipal de Butarque, o Leganés será o anfitrião do Real Madrid. Outro jogo de destaque será Atlético de Madrid x Real Sociedad, no Wanda Metropolitano.

O Barcelona de Griezmann visita o “freguês” Alavés na rodada final (Foto: Lluis Gene/AFP)

Numa das temporadas mais equilibradas, com resultados surpreendentes, La Liga retorna com grande expectativa e questionamentos acerca de quais condições cada equipe nesse retorno irá apresentar e para você, quem conquista a temporada 2019/20 de La Liga?

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terça-feira, 2 de junho de 2020

Primeira Liga 2019/20 – O Retorno!

Restando dez rodadas para o final, Liga Portuguesa retorna nesse dia 3 de junho

Devido à pandemia da Covid-19, a Liga Portuguesa, assim como a maioria das demais ligas também estava paralisada. Após uma série de rigorosos protocolos de segurança, antecedendo a volta dos jogos, assim como vimos na Bundesliga e a liberação por parte das autoridades sanitárias, o governo português autorizou o retorno da competição.

Com 18 clubes, a Liga Portuguesa classifica o campeão diretamente para a fase de grupos da UEFA Champions League e o vice-campeão para a fase preliminar. O terceiro lugar garante vaga na fase de grupos da UEFA Europa League. Quarto e quinto colocados têm direito de disputarem a fase classificatória. Faltam dez rodadas para o encerramento da temporada.

Porto x Benfica – Benfica x Porto: a briga pelo título!

Faltando 10 rodadas para o encerramento, a briga (novamente) pelo título está definitivamente restrita a dupla Porto e Benfica. Atual segundo colocado, com 59 pontos ganhos, o Benfica tem 13 pontos de vantagem para o Braga, terceiro colocado.

Após perder a liderança, na 23ª rodada, o Benfica tenta retomar a ponta (Foto: Carlos Rodrigues)

Das 24 rodadas, o Benfica liderou em 16, perdendo o posto na 23ª rodada para o Porto, que por sua vez, ficou 14 rodadas na segunda colocação e ocupou a primeira colocação em apenas três rodadas.

Atual líder, o Porto, tentará reconquistar a Liga Portuguesa (Foto: Gualter Fatia)

Numa temporada em que já presenciamos altos e baixos das duas equipes, a pergunta que fica é como Dragões e Encarnados irão se apresentar pós-parada? O Porto vivia um momento melhor, embalando na competição, o Benfica vivia um momento de queda de rendimento, mas e agora? O certo que sem confronto direto, o rival (de ambos) Sporting pode ser o “fiel da balança”, uma vez que irá enfrentar Benfica e Porto no decorrer da liga.

A briga pela UEFA Europa League

Com a luta pelo título polarizada entre Porto e Benfica, temos a briga pelas vagas para a UEFA Europa League, dividida em dois lados. Na ponta de cima, brigando pelo terceiro lugar e por uma vaga direta na fase de grupos, temos Braga (46 pontos) e Sporting (42 pontos). Ambas as equipes já se enfrentaram e têm pela frente confrontos contra os líderes do campeonato.

Sporting e Braga brigarão até o final pela Europa League (Foto: MIguel Riopa/AFP)

Já a luta pela quinta colocação (e última vaga aos playoff’s da UEFA Europa League) promete muitas emoções. Atual quinto colocado, com 38 pontos ganhos, o Rio Ave é seguido de perto por Vitória de Guimarães, Familicão, com 37 pontos; mais atrás, com chances matemáticas, temos Moreirense, Gil Vicente e Santa Clara, ambos com 30 pontos ganhos.

O surpreendente Rio Ave também segue na briga pela Europa League (Foto: Gualter Faria)

A luta contra o rebaixamento

Último colocado, com apenas 13 pontos ganhos, o Desportivo das Aves, carrega a marca negativa de 19 derrotas, estando a nove pontos do Paços de Ferreira (22 pontos), 16º colocado, primeira equipe fora da zona de rebaixamento.

Último colocado, o Desportivo das Aves é sério candidato ao rebaixamento (Foto: Paulo Nascimento/DPI/NurPhoto)

Com 16 pontos ganhos, o Portimonense é a equipe com menor número de vitórias, apenas duas e ocupa a 15ª colocação.

Os Artilheiros

Com 15 gols marcados, em 22 partidas, o brasileiro Carlos Vinícius chega na 25ª rodada como o artilheiro da competição. Com 25 anos, passou pela base do Goiás, Santos e Palmeiras, antes de se profissionalizar na Caldense. Com passagem pelo Grêmio Anápolis, foi parar no Real SC, em Portugal, marcando 20 gols em 39 jogos, sendo comprado pelo Napoli. O clube italiano porém, não utilizou o jogador emprestando-o primeiramente ao Rio Ave e posteriormente ao AS Mônaco, antes de seguir para o Benfica.

A dupla Carlos Vinícius-Pizzi têm 29 gols na liga (Foto: Miguel Riopa)

Na cola do brasileiro, vem o português Pizzi, 30 anos, experiente meia com sete anos no Benfica, anotou na atual temporada 14 gols, tendo atuado em todos os jogos é um dos principais jogadores da equipe.

Os grandes jogos antes da parada

Benfica 0-2 Porto – 3ª Rodada

O Porto havia sido derrotado, de forma surpreendente, pelo Gil Vicente (2-1), na primeira rodada. A recuperação dos Dragões veio em grande estilo, na terceira rodada, no Estádio da Luz.

Sporting 1-2 Porto – 15ª Rodada

Em seu segundo clássico, o Porto novamente se deu bem jogando em Lisboa. Desta vez no José Alvalade, os Dragões venceram os Leões.

Porto 1-2 Braga – 17ª Rodada

Em jogo bastante disputado, o Braga em pleno Estádio do Dragão conquistou uma importante e surpreendente vitória sobre o Porto

Sporting 0-2 Benfica – 17ª Rodada

Era o segundo clássico das duas equipes de Lisboa na competição; antes, ambas haviam perdido para o Porto e coube ao Benfica a tarefa da vitória contra seus rivais lisboetas.

Porto 3-2 Benfica – 20ª Rodada

No maior clássico de Portugal, um jogo que fez jus a grandiosidade da história de ambas as equipes e o Porto repetiu a dose do primeiro turno.

Jogos que prometem!

Na 25ª rodada, na reabertura da competição, um jogo interessante é Vitória de Guimarães x Sporting. Cartada decisiva para o clube vimaranense na luta por um lugar na próxima UEFA Europa League. Já os alviverdes não podem perder pontos para manterem a perseguição ao Braga, terceiro colocado.

Na 27ª rodada, o Benfica, não podendo perder pontos, visita o Rio Ave, em Vila do Conde. A equipe de Carlos Carvalhal ocupa a quinta colocação, buscando um lugar na próxima Europa League.

A 32ª rodada reserva dois clássicos. Primeiro, o Sporting, do treinador Rúben Amorim, visita no Estádio do Dragão, o Porto. De um lado a equipe azul e branca não podendo perder pontos e do outro um Sporting que certamente estará no páreo por uma vaga direta à fase de grupos da Europa League.

No primeiro turno, o Porto levou a melhor em Lisboa, ante o Sporting (Foto: Paulo Nascimento/DPI/NurPhoto)

Outro grande jogo é na cidade de Guimarães, no Dom Afonso Henriques, o Vitória tenta “pagar” a derrota do primeiro turno (1-0) para o Benfica.

A 34ª e última rodada reserva o clássico de Lisboa, no Estádio da Luz, o Benfica receberá o Sporting. No Minho, o Braga receberá o Porto, no Estádio Municipal, numa rodada que poderá ser a decisiva da liga.

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domingo, 31 de maio de 2020

Prêmio Marc-Vivien Foe 2020: os nominados!

Honraria é concedida ao melhor jogador africano da Ligue 1

A Rádio France Internacional (RFI), patrocinadora do Prêmio Marc-Vivien Foe, divulgou os nomes dos jogadores que concorrerão a premiação equivalente a temporada 2019/2020 do melhor jogador africano na Ligue 1.

A honraria (concedida desde 2009) é uma homenagem a Marc-Vivien Foe, jogador camaronês, que atuava no Lyon e faleceu de forma trágica (infarto), durante jogo pela semifinal da Copa das Confederações em 2003.

Leia também: 10 anos sem Marc-Vivien Foé

Lembrando que a Ligue 1 foi interrompida no dia 8 de março, por causa da pandemia da Covid-19. No dia 28 de abril, o governo francês encerrou a temporada (que estava na sua 28ª rodada), decisão que foi posteriormente homologada pela Liga de Futebol Profissional, entidade que administra a Ligue 1 e que teve o Paris Saint-Germain, como campeão e o Olympique Marseille, vice-campeão.

Os Vencedores

Os indicados da temporada 2019/20

Yunis ABDELHAMID

Com apenas dois jogos pela seleção do Marrocos em 2018, o franco-marroquino Abdelhamid, 32 anos é um defensor muito forte no jogo aéreo. Capitão do Reims, de ótima e surpreendente campanha na temporada 2019/20 marcou três gols em 28 participações.

Yunis Abdelhamid (Foto: Anthony Dibon/Icon Sport)

Denis BOUANGA

Franco-gabonês, Bouanga, 25 anos, optou por defender as cores do Gabão. Bouanga, já atuou pela Seleção Francesa de Beach Soccer, tendo disputado várias partidas pela mesma. Com 10 gols em 26 jogos e três assistências têm chamado a atenção de outras equipes no futebol europeu e é um dos destaques do Saint-Étienne.

Denis Bouanga (Foto: Loic Venance/AFP)

Andy DELORT

Aos 28 anos, o franco-argelino Delort, disputou o Torneio de Toulon pela França, porém em 2019 manifestou desejo de representar a Argélia, tendo sido campeão africano. Em 26 jogos na Ligue 1, o atacante anotou nove gols e fez duas assistências, sendo um dos bons destaques do Montpellier.

Andy Delort (Foto: Tim Clayton/Corbis)

Habib DIALLO

Cria da base do FC Metz, o senegalês Diallo, 24 anos é um dos destaques da equipe. Em 26 jogos, anotou 12 gols e três assistências. Em sua quarta temporada na Ligue1, tem despertado interesse de outras equipes no Continente.

Habib Diallo (Foto: Fred Marvaux/Icon Sport)

Idrissa GANA GUEYE

Após quatro temporadas e meia na Inglaterra, onde era titular absoluto do Everton, o experiente senegalês Gana Gueye, 30 anos, tenta obter o mesmo sucesso, agora no Paris Saint-Germain. Na temporada, atuou em 20 partidas, dando um passe e anotando um gol pelo clube parisiense.

Idrissa Gana Gueye (Foto: Aurelien Meunier/PSG)

Édouard MENDY

Aos 28 anos, o goleiro franco-senegalês Mendy chegou ao Rennes na metade de 2019 e é um dos destaques da equipe que terminou na terceira colocação, conquistando uma vaga na fase qualificatória da UEFA Champions League 2020/21. Atuou em 24 dos 28 jogos.

Édouard Mendy (Foto: Pierre Costabadie/Icon Sport)

Mbaye NIANG

Outro destaque do Rennes é o franco-senegalês Niang. Aos 25 anos de idade, possui passagens pelo Milan, Montpellier, Genoa, Watford e Torino, tendo atuado em todas as seleções de base da França, optou por defender o Senegal, onde é presença constante nas convocações desde 2017. Na Ligue 1 anotou 10 gols em 26 jogos.

Mbaye Niang (Foto: Jean-François Monier/AFP)

Victor OSIMHEN

Com apenas 21 anos, o nigeriano Osimhen chegou na Europa pelo Wolfsburg, aos 18 anos. Após passagem com destaque pelo Charleroi, foi parar no Lille, onde é um dos principais nomes da equipe. Na temporada foram 13 gols quatro assistências em 27 jogos; números que o colocam no radar de outras equipes europeias.

Victor Osimhen (Foto: Dave Winter/Icon Sport)

Moses SIMON

Oriundo da base do Ajax Amsterdan, o nigeriano Simon, 24 anos, passou por Trencin (Eslováquia) e Gent (Bélgica), antes de ser comprado pelo Levante que o emprestou ao Nantes. Na temporada francesa, anotou cinco gols e fez outras cinco assistências.

Moses Simon (Foto: Aude Alcover/Icon Sport)

Islam SLIMANI

Com 31 anos, o experiente atacante argelino Slimani, ainda pertence ao Leicester e está emprestado ao Mônaco. Na Ligue 1 jogou 18 partidas, marcando nove gols e com oito assistências, transformando-se num dos principais jogadores do clube monegasco.

Islam Slimani (Foto: Sebastien Bozon/Icon Sport)

Hamari TRAORÉ

Titular absoluto do Rennes, o malinês Traoré está na sua terceira temporada no clube rubro-negro. Aos 28 anos é um dos bons alas direita da Ligue 1. Na temporada foram quatro assistências em 27 jogos.

Hamari Traore (Foto: Baptiste Fernandez/Icon Sport)

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sábado, 30 de maio de 2020

J.League: do “rei” Kazu a Iniesta e vice-versa, uma história!

De Kazu a Zico, Lineker, Wenger, Stojkovic, Postecoglou, Iniesta e … de volta a Kazu

Kazuyoshi Miura, aos 53 anos de idade é um exemplo raro na história do futebol moderno, quiçá único, uma unanimidade no Japão. Quando a J-League começou em 1993, ele era a estrela japonesa incontestável da recém criada liga, que o futuro mostrou, tornou-se uma das principais da Ásia.

Lenda viva em campos nipônicos, Kazu, aos 53 anos, segue jogando (Foto: Masashi Hara)

Vinte e sete anos após o início a J-League, com todos os percalços e dúvidas que se esperava no Japão dos anos 90 seguem uma trajetória de sucesso. Do primeiro título da J-League, com o Verdy Kawasaki (atual Tokyo Verdy), onde Kazu literalmente conquistou todos os títulos na terra do sol nascente escrevendo seu nome na história do clube; até o Yokohama FC, onde joga desde 2005 (após passagem por empréstimo no Sydney F.C.) um clube que não existia quando a J-League começou, o lendário camisa 11 permanece na ativa.

Após “peregrinar” pelo Brasil, Kazu retornou para se tornar um dos grandes nomes da J-League (Foto: Asahi Shimbun)

Como a J-League foi criada!

A J-League foi uma criação do secretário-geral da JFA, Saburo Kawabuchi, que ficou encantado com a organização do futebol na Europa, principalmente na Alemanha, depois de visitar um campo de treinamento antes das Olimpíadas de 1964.

Até Kawabuchi aparecer com sua ideia revolucionária para a J-League, o futebol japonês era como o resto do esporte japonês, formado por times corporativos. A Liga de Futebol do Japão era composta por equipes representando algumas das maiores empresas do Japão – Hitachi, Mitsubishi, Nissan, Yamaha, Furukawa Electric (que Kawabuchi jogou) e assim por diante.

Inspirado na Bundesliga, Saburo Kawabuchi pode ser considerado o pai da J-League (Foto: Asahi Shimbun)

Kawabuchi, no entanto, imaginou um futuro diferente para o jogo no Japão, baseado no modelo comunitário que ele testemunhou em primeira mão na Alemanha. Ele queria que as equipes representassem suas comunidades, não as corporações.

“A J-League é uma revolução social, é diferente de apenas tornar o Japão bom no futebol” – Saburo Kawabuchi a Sebastian Moffett para o Japanese Rules (livro que detalha a história do futebol no Japão)

“Os japoneses não haviam experimentado esse tipo de clube esportivo comunitário, porque as pessoas não sabiam sobre eles. As principais pessoas do governo e da indústria estavam no exterior e sabiam como eram bons os clubes esportivos, mas não pensavam em instalá-los no Japão”.

Mas o que Kawabuchi encontrou foi um apetite por esse outro mundo, onde os fãs japoneses, viciados em trabalho, podiam entrar no estádio e ser transportados para outro mundo. Foi uma fuga das realidades da vida cotidiana.

Mais de 300.000 pessoas solicitaram ingressos para o jogo de abertura entre Verdy Kawasaki e Yokohama Marinos. Pouco menos de 60.000 deles tiveram a sorte de estar dentro do Estádio Nacional de Tóquio, em 15 de maio de 1993, quando a J-League começou, numa festa memorável.

As empresas ainda eram donas das equipes e ainda são, mas desapareceram os nomes corporativos. Mitsubishi Motors se tornou o Urawa Red Diamonds, a Nissan Motors se tornou o Yokohama Marinos, a Mazda SC se tornou o Sanfrecce Hiroshima, enquanto a Sumitomo Metal Industries se tornou o Kashima Antlers.

A primeira fase dos grandes nomes da J-League

Com o advento do profissionalismo, veio uma série de grandes estrelas, na reta final de suas carreiras, tentadas sem dúvida, pelo dinheiro, exemplar organização e a qualidade de vida existente no Japão. A estratégia era clara:  sempre ter um grande nome da história do futebol, visando claro, chamar os torcedores aos estádios.

Zico (Kashima Antlers), Dragan Stojkovic e Gary Lineker (ambos Nagoya Grampus), Pierre Litbarski (JEF United), César Sampaio (Yokohama Flügels, Kashiwa Reysol e Sanfrecce Hiroshima), Daniele Massaro (Shimizu S-Pulse), além de Dunga e Salvatore Schillaci (ambos Jubilo Iwata), incluindo também, um até então desconhecido Arsene Wenger, que passou 14 meses entre julho de 1995 a setembro de 1996, no Nagoya Grampus, antes de rumar para a Inglaterra e fazer história no Arsenal.

Ao final da carreira, grandes nomes passaram pela J-League, popularizando de sobremaneira a liga (Foto: reprodução DpF)

Até hoje, Zico permanece reverenciado em Kashima por ingressar no clube de uma cidade tão pequena, que quase não tinha o direito de competir com os times das grandes cidades e transformá-lo em uma potência japonesa e no clube profissional mais bem-sucedido com oito títulos da J-League. Um jogo do Antlers, no Kashima Soccer Stadium é sempre cercado de inúmeras homenagens a Zico (atualmente diretor técnico do clube), com inúmeras faixas em respeito a lenda brasileira.

A passagem de Zico pelo Kashima Antlers é o exemplo de um “casamento” bem sucedido (Foto: Masashi Hara)

Stojkovic, um dos melhores jogadores da Iugoslávia (Sérvia), passou sete anos em Nagoya entre 1994 e 2001, escrevendo seu nome na história da competição, antes de voltar para comandar o clube em 2008, guiando o Nagoya Grampus ao seu único título da J-League em 2010.

Depois de brilhar em campo, Dragan Stojkovic comandou o Nagoya Grampus ao seu único título japonês (Foto: Kaz Photography)

Do êxtase inicial a fase de contração

Como todas as ligas iniciantes, houve um cenário de expansão e contração que pode ser atribuído ao agravamento da situação econômica no Japão, à medida que a década de 1990 avançava. Dos dez clubes de 1993, a liga cresceu rapidamente e em 1998 incorporou 18 equipes. Mas a popularidade estava diminuindo e a média de público caiu de mais de 19.000 em 1994 para pouco mais de 10.000 em 1997.

Em 1997, a média de público caiu, surgindo “clarões” nos estádios, como nesse Yokohama Marinos x Cerezo Osaka (Foto: Asahi Shimbun)

A J-League se preparou para essa queda de público, incentivando a criação de clubes profissionais, oferecendo aporte administrativo, criando um ecossistema de futebol adequado, visto em grandes ligas de sucesso no Mundo.

Além de incentivar os clubes a se envolverem mais em suas comunidades locais para obter apoio necessário a enfrentar futuras crises. A liga deu um passo aparentemente drástico de introduzir uma segunda divisão de dez equipes, percebendo que a estrutura precisava crescer se quisesse fazer jus ao seu potencial.

A expansão da J-League

Enquanto a J1 (primeira divisão) permaneceu estável em 16 equipes, até crescer novamente para 18 em 2005, a J2 (segunda divisão) continuou expandindo, chegando a 22 equipes em 2013, o que provocou a próxima fase do crescimento da liga, com a introdução da J3 (terceira divisão) de 12 equipes em 2014.

No espaço de 15 anos, a liga cresceu de 18 clubes e uma divisão, para três divisões e 51 clubes (um time na J3 era a Seleção do Japão Sub-22 projetada para preparar os jogadores para as Olimpíadas de 2016).

Tradicional clube, o Kashiwa Reysol conquistou a temporada 2019 da J2 e em 2020 disputa a J1 (Foto: Masashi Hara)

Porém, houve baixas ao longo do caminho, mas elas criaram oportunidades para dar vida à visão de Kawabuchi para o futebol no Japão.

No final de 1998, o Yokohama Flügels foi forçado a se fundir com a Yokohama Marinos, depois que um de seus principais patrocinadores desligou-se, levando à criação do Yokohama F. Marinos, com o ‘F’ sendo uma referência aos Flügels e seu papel na entidade resultante da fusão.

Os torcedores do Flügels viram isso de maneira diferente, como mais aquisição do que fusão e se uniram para criar um novo clube: Yokohama FC; destacando o quão longe o futebol japonês chegou em poucos anos. A visão de Kawabuchi de equipes pertencentes a comunidades e não a empresas realmente ganhou vida com o Yokohama FC.

O Yokohama FC nasceu fruto do descontentamento dos torcedores com o fim do Flügels (Foto: Hiroki Watanabe)

A segunda fase dos grandes nomes da J-League

Um aporte de investimentos nas últimas temporadas viu outra onda de estrelas internacionais olharem para o Japão como um destino de escolha. Diego Forlán (Cerezo Osaka) foi o primeiro em 2014, enquanto Fernando Torres também se juntou a Sagan Tosu em 2018, mas mais recentemente foi Vissel Kobe que esteve na vanguarda do movimento.

O astro uruguaio Diego Forlán, na ocasião da sua apresentação no Cerezo Osaka (Foto: Koji Watanabe)

Longe de ser um gigante da J-League (o melhor lugar do Kobe na liga foi o sétimo lugar em 2016), mas nos últimos dois anos, apoiado pelo fundador e CEO do bilionário grupo Rakuten (Hiroshi Mikitani), o Vissel Kobe se tornou a versão japonesa dos Galácticos. Andrés Iniesta, Lukas Podolski, David Villa e Thomas Vermaelen chegaram ao clube, que também contratou os japoneses Hotaru Yamaguchi e Gōtoku Sakai.

Podolski, Villa e Iniesta, o Vissel Kobe agora têm os “Galáticos” do Japão (Foto: Masashi Hara)

Vencedor das duas últimas edições da Copa do Imperador, o Vissel Kobe bateu o recorde de lucros na liga japonesa, graças a um aumento de patrocínios e venda de ingressos. No ano fiscal de 2019 (que terminou em 31 de março), o Kobe registrou lucros de cerca de 96 milhões de Euros, tornando-se o primeiro clube da J-League a passar a barreira dos 85 milhões de Euros, segundo um estudo da liga.

Hiroshi Mikitani, com o troféu da Copa do Imperador e seus “pupilos” do Vissel Kobe (Foto: Masashi Hara)

O ótimo balanço financeiro de 2019 superou os cerca de 81 milhões de Euros que o Vissel Kobe, já recordista de lucros, alcançará em 2018. Os números do chamado “efeito Iniesta” refletem muito bem, a visão dos investidores da J-League em relação à estratégia de contratações.

Andrés Iniesta mantém a tradição de grandes e carismáticas contratações (Foto: Masashi Hara)

O afluxo recente de estrelas internacionais viu o campeonato crescer novamente, com a média de público crescendo todos os anos desde 2013, de 17.226 para o recorde de 20.751 da última temporada, o maior da história da liga e a primeira vez que alcançou a marca de 20.000 torcedores.

Na temporada de 2019, a J-League viu um novo recorde de média de público em seus estádios (Foto: Junko Kimura)

A J-League não está apenas firmemente enraizada na sociedade e cultura japonesa, mas é amplamente considerada como a liga mais destacada na Ásia, e com uma popularidade crescente em todo o continente, especialmente no Sudeste Asiático, graças a estrelas como o trio tailandês Chanathip Songkrasin, Theerathon Bunmathan e Teerasil Dangda, numa outra “jogada de mestre” da J-League.

Songkrasin (8), Bunmathan (18) e Dangda (10); tailandeses ajudam na popularização da J-League (Foto: Zhizhao Wu)

“Agora há uma segunda divisão e 40 clubes profissionais e no próximo ano haverá uma J3. Eu não esperava isso há 20 anos. Eu nem tinha certeza se alguma vez haveria uma segunda divisão ” –  Saburo Kawabuchi ao Japan Times em 2013, refletindo os primeiros 20 anos da liga.

Kawabuchi, agora com 83 anos, pode sentar-se, sorrir e admirar o quão longe a J-League chegou. Mas, apesar de tudo, das inúmeras mudanças, uma coisa permanece a mesma: Kazu ainda está jogando!

Exemplo de organização e competência, a J-League é modelo a ser seguido (Foto: Etsuo Hara)

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