segunda-feira, 25 de maio de 2020

O negacionismo da pandemia pode gerar consequências drásticas ao futebol brasileiro

A transmissão descontrolada do coronavírus no Brasil já resultou em mais 350 mil contaminados e mais de 20 mil mortes no país. Até esta data, o Brasil é o segundo país no mundo com o maior número de casos confirmados da doença, atrás apenas dos Estados Unidos.

Enquanto isso, alguns clubes de futebol, de forma desconectada da realidade, trabalham para convencer as autoridades de que é possível o retorno das partidas. O caso mais destacado é o do Flamengo, que determinou a volta dos treinamentos à revelia das restrições impostas pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

Foto: Alexandre Vidal / CRF – Jesus realiza exame da Covid-19

Tanta insistência para esse retorno forçado do futebol tem razões financeiras óbvias: os clubes sofrem sem as receitas geradas pelas competições. Porém, os dirigentes que insistem no retorno fora de hora não perceberam que essa mesma postura pode levar seus times a serem impedidos de participar de alguns torneios de onde esperam obter receitas. Não são poucos os que já vislumbram times brasileiros sendo excluídos da Libertadores, em razão do temor de outros países em receber moradores de um país sem controle da doença. Também não é absurdo pensar que até a participação do Brasil na próxima Copa do Mundo pode estar ameaçada, já que, para chegar lá, é preciso jogar as Eliminatórias.
Em entrevista para a BBC News Brasil, Domingos Alves, responsável pelo Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, afirmou que, sem medidas efetivas para conter a pandemia do coronavírus, o Brasil vai se tornar “uma Coreia do Norte em questões sanitárias”.

“O mundo inteiro vem tomando medidas muito duras para controlar a pandemia do coronavírus, às custas de um impacto econômico nunca antes visto. Mas o Brasil vem nadando contra a corrente. Quando esses países reabrirem as suas fronteiras, por que deixariam entrar brasileiros e colocar tudo a perder?”, questiona.

Transportando essa reflexão para o futebol, fica difícil imaginar que os demais países sul-americanos, que com muito sacrifício estão conseguindo conter os danos causados pela pandemia, aceitarão receber delegações de equipes do Brasil se a Libertadores voltar. O mesmo raciocínio vale para a Copa Sul-Americana A consequência prática disso poderia ser a exclusão dos times brasileiros da competição. Ora, será que os dirigentes flamenguistas têm ciência que podem estar colocando em risco o sonho do bicampeonato consecutivo da Libertadores por causa de uma postura negacionista endossada por eles?

Foto: Lucas Uebel/ Grêmio – No Grêmio, jogadores voltaram aos treinamentos também com protocolo de cuidados.

A seleção brasileira também tem motivos para se preocupar. As eliminatórias sul-americanas para o Mundial já tiveram rodadas adiadas pela pandemia e não sabemos se todos os países terão condições sanitárias de participar delas no seu retorno. Cenário hipotético: se todos os demais países sul-americanos conseguirem alcançar uma situação de relativa segurança para a volta das partidas, toparão eles o adiamento do retorno das Eliminatórias apenas por causa do Brasil?

Ao contrário do que alguns parecem pensar, o vírus da Covid-19 não cansa, nem tira férias e o alastramento da doença não será contido sem medidas realmente rigorosas de isolamento social. Se 350 mil brasileiros já foram contaminados, segundo os dados oficiais, ainda restam mais de 200 milhões de brasileiros que ainda podem ser acometidos, o que torna muito distante o fim da pandemia se não houver intervenções para contê-la.

Imagem: G1.com – O Gráfico apresenta o número de mortes por Coronavírus no Brasil.

Para o futebol brasileiro, o cenário pode ser igualmente trágico, com a séria possibilidade de equipes brasileiras não poderem participar de competições internacionais. Portanto, é hora dos nossos dirigentes pensarem fora da caixinha e pressionarem as autoridades competentes para a adoção de uma política séria de combate à pandemia. Do contrário, o máximo que vão conseguir é o retorno do futebol no território nacional mesmo, mas sem cruzar fronteiras.

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sexta-feira, 22 de maio de 2020

Mônaco 3-1 Real Madrid – Jogo de Volta das Quartas da UCL 2003/04

Pela segunda vez em sua história, o time do Principado chegava às semifinais do principal interclubes da Europa

A temporada 2003/2004 da UEFA Champions League está marcada na história como uma temporada “aleatória”, afinal, naquela edição da principal competição interclubes da Europa, tivemos gratas surpresas em campo e, favoritos sendo sumariamente eliminados.

No Clássicos DPF de hoje, vamos recordar o dia 6 de abril de 2004, quando o Mônaco conquistou uma vitória espetacular, eliminando o poderoso Real Madrid. Resultado que classificou a equipe francesa para a sua segunda semifinal da UEFA Champions League.

Leia também: As maiores viradas da Liga dos Campeões

Como as equipes chegaram para este jogo

O Mônaco na fase de grupos classificou-se em primeiro lugar no grupo C, a frente de Deportivo, PSV e AEK. Já os merengues, avançaram liderando o grupo F, sendo seguidos por Porto, Olympique Marseille e Partizan (da então Iugoslávia).

Mônaco, de Rothen e Deportivo, de Manuel Pablo, surpreenderam na UCL 2003/04 (Foto: Pierre-Philippe Marcou/AFP)

Nas oitavas-de-final, o Real Madrid eliminou o Bayern Munique, após empatar fora de casa (1-1) e vencer pela contagem mínima os alemães no Santiago Bernabeu. O Mônaco avançou eliminando o Locomotiv Moscou; porém com maiores dificuldades, uma vez que no jogo de ida, foram derrotados (2-1) e na volta venceram por 1-0.

Os merengues, de Figo, passaram pelo Bayern Munique, de Zé Roberto e Ballack, nas oitavas (Foto: Phill Cole)

Assim, nas quartas-de-final, franceses e espanhóis estariam frente a frente na briga por um lugar nas semifinais, com amplo favoritismo para o Real Madrid. No jogo de ida, ante 70 mil espectadores, no Santiago Bernabeu, os franceses saíram na frente com Sébastien Squillaci, no final do primeiro tempo. Na segunda etapa, os galáticos voltaram com tudo, virando o placar com Ivan Helguera, Zinedine Zidane, Luis Figo e Ronaldo Fenômeno.

Na ida em Madrid, o Real de Ronaldo, passou por cima do Mônaco, de Bernardi e Morientes (Foto: Christophe Simon/AFP)

Com a vitória espanhola definida, ainda houve tempo, aos 38 minutos, para Fernando Morientes anotar o segundo gol do Mônaco. E foi, justamente, o tento anotado por Morientes, o gol que colocou o time alvirrubro no páreo. Porém, favoritismo dos madrilenhos, por conta da qualidade técnica excepcional daquele time, levava muitos a acreditarem que dificilmente o time do Principado iria conseguir reverter.

Bernardi abraça Morientes, o gol do espanhol foi decisivo para a classificação (Foto: Nigel French/EMPICS)

Mônaco 3-1 Real Madrid: a virada monegasca!

Após a vitória no jogo de ida por 4-2, o Real Madrid desembarcou no Principado de Mônaco, com uma ótima vantagem e defendendo, até então, além da invencibilidade, a melhor campanha em números daquela edição da competição.

Em pé, da esquerda para a direita: Casillas, Helguera, Ronaldo, Gutti, Figo e Zidane. Agachados: Borja, Mejía, Salgado, Roberto Carlos e Raúl (Foto: Gamma Rapho/LEGRAND)

Entretanto, do outro lado, deparou-se com um Mônaco em busca de escrever seu nome na história e quem teve a oportunidade de presenciar aquele jogo, nunca esquecerá o espírito aguerrido do alvirrubro representante francês, comandado por Didier Deschamps.

Em pé, da esquerda para a direita: Ibarra, Plasil, Cissé, Prso, Morientes e Roma. Agachados: Givet, Giully, Rothen, Rodríguez e Evra (Foto: Shaun Botterill)

Com a bola rolando, um jogo muito disputado, sobretudo pela necessidade de domínio do meio-de-campo. Com muita qualidade no setor, o Real Madrid, naturalmente buscava mais o ataque. Entretanto, o sistema defensivo do Mônaco conseguia êxito na marcação; em contrapartida, as poucas tentativas dos donos da casa, eram bem neutralizadas pela defensiva espanhola.

Ponto forte do time madrilenho, num avanço de Roberto Carlos pela ala esquerda, o mesmo cruzou para a área e por pouco Raul não conseguiu completar para o gol. Minutos depois Zidane tentou encobrir o goleiro Flavio Roma, que atento fez boa defesa.

Zidane x Plasil, foi um dos bons duelos do jogo de volta (Foto: Shaun Botterill)

A resposta dos donos da casa veio com Giully, arrematando fora da área, porém sem sustos para Casillas. Jogo truncado e o Mônaco teve a primeira grande oportunidade após falta em que o tcheco Plasil rolou para Morientes, que soltou uma bomba para ótima defesa de Iker Casillas.

Precisando vencer, o Mônaco passou a sair mais para o jogo, principalmente com seus alas Ibarra e Evra. Mas aos 36 minutos, Ronaldo arrancou pela esquerda e tocou para o meio, Gutti passou, levando consigo o marcador e a bola chegou para Raul Gonzalez, que com muita categoria, de esquerda, arrematou no ângulo, um golaço, sem chances para Roma. Foi o 45º gol do camisa sete do Real Madrid na história da competição, aumentando a vantagem dos espanhóis para 5 a 2 no placar agregado.

Gutti corre para abraçar Raúl, que anotou seu 45º gol na Uefa Champions League (Foto: Gerard Julien/AFP)

O gol de certa forma abateu os donos da casa, já os merengues, seguiam com o jogo “controlando” e apostando no apoio de Roberto Carlos pela ala esquerda; porém nos acréscimos da primeira etapa, Evra cruzou na área e Morientes ajeitou de cabeça para Giully acertar de primeira, sem tanta força, mas um chute rasteiro que encontrou o fundo do gol de Casillas empatando o jogo e dando sobrevida para o representante francês.

Com participação decisiva em dois gols, Evra foi um dos principais destaques do jogo (Foto: Shaun Botterill)

Se o lado esquerdo do Real Madrid era a principal válvula de escape, com Roberto Carlos; pelo lado do Mônaco não era diferente com Patrice Evra e logo no começo da segunda etapa, aos três minutos, o próprio centrou bola na área e Fernando Morientes (jogador que pertencia ao Real Madrid, mas estava emprestado) subiu antecipando Álvaro Mejía e cabeceando sem chances para Casillas. Era a virada monegasca e consequentemente o sopro de esperança ao representante francês na luta por um lugar na semifinal.

Giully abraça Morientes na comemoração do desempate. Dupla foi fundamental na histórica vitória (Foto: Shaun Botterill)

Experiente e ainda com a vaga garantida, o Real Madrid cadenciava o jogo. Em cobrança de falta, Figo chutou para boa intervenção de Roma. A resposta veio minutos depois em lançamento longo de Ibarra nas costas da defesa madrilenha, que Morientes arrematou de primeira, mas sem força, para defesa de Casillas.

Precisando de mais um gol e não podendo levar, o Mônaco iniciou uma pressão alçando bolas na área do Real Madrid, que por sua vez, não conseguia chegar ao ataque. E num cruzamento rasteiro de Ibarra, a bola chegou até Giully, que de letra desviou para o fundo da meta de Casillas. Era o terceiro gol do Mônaco e a até então improvável classificação, se tornava realidade, aos 21 minutos do segundo tempo.

O capitão Giully na comemoração do gol da classificação para a semifinal da UCL 2003/04 (Foto: Adam Davy/EMPICS)

Com muito jogo pela frente e precisando de um gol para se classificar, o até então invicto Real Madrid, foi para o “tudo ou nada”. Aos 29 minutos, Roberto Carlos cruzou para cabeçada certeira de Raul, porém o mesmo estava impedido. Por outro lado, Didier Deschamps, apostando no contra-ataque colocou os jovens africanos, Shabani Nonda e Emmanuel Adebayor, cada um teve a chance de anotar o quarto gol, porém Nonda, em uma das oportunidades, arrematou muito mal e Adebayor chutou no travessão.

Nos quatro minutos finais de acréscimo, o Real Madrid, já sem padrão tático, na base do desespero, alçou bolas na área e numa destas, Raul teve a chance de escrever um outro desfecho para o jogo, porém o atacante espanhol não conseguiu completar para as redes o gol que daria a classificação, ficando assim, os Galáticos, pelo caminho na busca pela décima conquista e o elenco sofrendo uma série de críticas da sempre exigente imprensa madrilenha.

A imprensa madrilenha não perdoou a desclassificação (Foto: reprodução Arquivo Marca)

Leia também: O surpreendente Mônaco na Champions League 2003/2004

FICHA DO JOGO

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sexta-feira, 15 de maio de 2020

Guia da Bundesliga 2019/20 – O Retorno!

Faltando nove rodadas para o encerramento, Campeonato Alemão retorna neste final de semana

Após um período de paralisação em função da pandemia da Covid-19, a bola volta a rolar nesse final semana pela temporada 2019/20 da Bundesliga, o Campeonato Alemão e você acompanha aqui, no Doentes por Futebol, um resumo de como está a liga alemã nesse momento e as perspectivas em torno da mesma, em sua reta final.

Na atual temporada, foram disputados 25 jogos por cada uma dos 18 clubes da Bundesliga. Restam nove rodadas para o final do campeonato. Há, entretanto, um jogo, válido pela 24ª rodada, entre Werder Bremen e Eintracht Frankfurt, que foi adiado.

A briga na ponta de cima

O Bayern Munique lidera com quatro pontos de vantagem, mas é importante lembrar que há três rodadas, a diferente do clube bávaro era de apenas um ponto para o RB Leipzing, que vacilou empatando em contra a o Bayer Leverkusen (1-1) em casa e com o Wolfsburg (0-0), fora de casa e ainda viu o Borussia Dortmund assumir a segunda posição.

Buscando o octacampeonato, o Bayern Munique é o time a ser batido (Foto: AFP)

A pergunta que a maioria dos torcedores, principalmente os que acompanham de longe, fazem: com vantagem na ponta da tabela, o Bayern já seria o “virtual” campeão (octa no caso) da temporada, deixando a competição, nestas nove rodadas restantes, sem emoção?

Pois bem, na 28ª rodada, teremos um confronto direto: Borussia Dortmund x Bayern Munique, no Signal Iduna Park. Mas não é somente isso, os bávaros recebem na 31ª rodada, na Allianz Arena, o bom time do Borussia Mönchengladbach e uma rodada antes, viajam para enfrentar o Bayer Leverkusen, que ocupa a quinta colocação e também segue sonhando com o título. O Borussia Dortmund por sua vez, além de receber o Bayern, irá viajar na 33ª rodada para enfrentar o RB Leipzing.

Confronto direto pelo título, o Bayern visita o Dortmund, dia 26 de maio. (Foto: Reuters)

Outro dado interessante, nos jogos ante seus adversários da ponta de cima da tabela, o Bayern só venceu o Borussia Dortmund (4-0) em casa. Empatando duas vezes com o RB Leipzing (1-1 e 0-0) e perdeu para Leverkusen e Mönchengladbach (ambos por 2-1). Ou seja, uma certeza, que nada está definido e que teremos muitas emoções até o final!

O Borussia Mönchengladbach tenta quebrar um tabu de 43 anos (Foto: AP Photo/M. Meissner)

A briga pela Uefa Europa League

Atualmente na quinta colocação, com 47 pontos, o Bayer Leverkusen ainda está na briga, ou por uma vaga na Uefa Champions League, ou, até mesmo, pelo título. O sexto colocado, dez pontos atrás do Leverkusen e na zona de classificação para a fase de qualificação da Uefa Europa League é o Schalke 04.

Uma das boas equipes da atual temporada, o Bayer Leverkusen vem embalado por jovens valores (Foto: Reuters)

Os “Azuis Reais” são seguidos de perto, um ponto a frente de Wolfsburg e Freiburg e dois de Hoffenheim. Colônia e Union Berlin, com cinco e sete pontos atrás, respectivamente, correm por fora na briga por uma vaga na próxima Uefa Europa League.

O Schalke 04 não disputa o título, mas busca uma vaga na Uefa Europa League (Foto: AFP)

A briga na parte de baixo

Se a atual temporada tem sido bastante disputada e promete fortes emoções para a reta final da Bundesliga; na parte de baixo a briga não está tão equilibrada assim. Lanterna, com dez pontos atrás do Mainz 05, o Paderborn (que disputa a Bundesliga pela segunda vez), precisa fazer o que até aqui não fez, ou seja, jogar muita bola para se salvar da 2.Bundesliga.

O Paderborn vai precisar de um milagre para não ser rebaixado (Foto: AFP)

Com uma campanha decepcionante, o Werder Bremen, quatro vezes campeão da Bundesliga, está oito pontos atrás do Mainz 05 (primeiro time fora da zona de rebaixamento), com um jogo a menos. Na Bundesliga o antepenúltimo colocado enfrenta o terceiro colocado da 2.Bundesliga. No momento, o Fortuna Dusseldorf, quatro pontos atrás, do Mainz 05, está na 16ª posição.

Decepcionante, o tradicional Werder Bremen luta contra o rebaixamento (Foto: Reuters)

Os grandes jogos antes da parada

A temporada 2019/20 já registrou grandes jogos, com atuações individuais e coletivas de destaque.

RB Leipzing 8-0 Mainz 05 – 10ª Rodada

Maior goleada até aqui, da temporada.

Eintracht Frankfurt 5-1 Bayern Munique – 10ª Rodada

A mais surpreendente goleada, até aqui, da Bundesliga.

Bayern Munique 4-0 Borussia Dortmund – 11ª Rodada

Após a derrota em Frankfurt, os bávaros se recuperaram com uma goleada ante os grandes rivais de Dortmund.

Os reis das assistências e da artilharia

Com 16 assistências, Thomas Muller, do Bayern Munique, lidera a tabela de assistências da atual temporada da Bundesliga, seguido por Jadon Sancho, do Borussia Dortmund, com 15 assistências.

Nenhuma novidade que o goleador da temporada 2019/20 do Campeonato Alemão, é o polonês Robert Lewandowski, do Bayern Munique, com 25 gols (39 na temporada), seguido por Timo Werner, do RB Leipzing, com 21 gols.

Olho neles!

Tradicionalmente a Bundesliga sempre revela bons jogadores e na atual temporada, não tem sido diferente e quando falamos em talento, não podemos deixar de destacar o fenômeno norueguês Erling Haaland, que têm 40 gols em 33 partidas disputadas pelo RB Salzburg e Borussia Dortmund. Na Bundesliga são nove gols.

Erling Haaland, com uma média fantástica de gols é um dos destaques do Dortmund (Foto: Reuters)

Com apenas 20 anos, o meia Kai Havertz é o grande destaque do Bayer Leverkusen. Desejado pelos principais clubes europeus, têm seis gols e cinco assistências na temporada do Campeonato Alemão.

Kai Havertz dificilmente seguirá mais uma temporada em Leverkusen (Foto: AFP)

Outro bom destaque da atual temporada é Marcus Thuram. Filho do lendário Liliam Thuram, o camisa dez do Borussia Mönchengladbach, ao contrário do seu pai, joga no ataque e até aqui marcou seis gols e deu oito passes para gol.

Em desenvolvimento, Marcus Thuram é um dos bons jovens talentos da temporada (Foto: Borussia Mönchengladbach)

Enfim, a bola volta a rolar na Alemanha, não ainda nas condições que todos nos acostumamos no futebol, mas uma oportunidade para quem é amante do futebol, poder assistir grandes jogos, num campeonato extremamente organizado e que terá, em função de toda a situação que vivemos, todos os olhos do Mundo esportivo, voltados para a Bundesliga.

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quinta-feira, 7 de maio de 2020

Teremos Bundesliga de volta! Veja como estão os prognósticos para o título nacional na Alemanha

Bayern de Munique e Borussia Dortmund estão fortes na disputa pelo campeonato

O fã de futebol vai voltar a ter um pequeno alento nas próximas semanas. Isso porque Alemanha liberou as atividades esportivas mesmo sem o fim da pandemia do coronavírus (Covid-19). Sendo assim, a Bundesliga retorna a partir do dia 16 de maio, ainda sem a presença de torcida no estádio. Você lembra como estava a tabela do campeonato antes da pausa? Restam sete rodadas para o fim. Vamos trazer aqui as cotas de outrights para dar os seus palpites de maneira embasada. Fique ligado.

Como apostar?

Os nossos palpites e prognósticos estão aqui para te auxiliar e ajudar a lucrar com o OddsShark – um dos sites mais respeitados do mundo sobre palpite esportivo. Não tem mistério, é simples! Você escolhe uma casa de aposta e faz o seu cadastro rápido. Daí, já pode começar a investir.

Quem fica com o título?

Na maioria das vezes ao longo da história, o título ficou nas mãos do Bayern. Na temporada 2019/2020, os bávaros lideram a Bundesliga, estando cotados em R$ 1,20 a cada R$ 1,00 aplicado por você na SpinSports. Eles têm 55 pontos, apenas 4 a mais que o segundo colocado, o Borussia Dortmund. Os aurinegros pagam R$ 6,50. Ainda tem muita coisa boa para sair destes rivais. Eles ainda vão se enfrentar pelo segundo turno. Previsão de jogaço!

Na 3ª posição da tabela está o RB Leipzig, com 50 pontos. O time patrocinado pela Red Bull é um dos que mais cresceu nos últimos anos dentro e fora da Alemanha, tanto que chegou a liderar a Bundesliga e está nas quartas de final da Liga dos Campeões. Caso tire a diferença do Bayern e levante a Salva de Prata o retorno será de R$ 9,00.

Já o Borussia Monchengladbach, que também foi líder anteriormente, tem uma situação mais delicada, contando com 49 pontos. A missão é tão difícil que o seu valor de odds é de R$ 125,00. Hoje, o foco maior desta equipe é assegurar uma vaga na Champions, como falaremos mais a partir do próximo parágrafo.

Quem fica dentro do G-4 e G-6?

O Bayern nem aparece nas cotações, já que está garantido na Liga dos Campeões. Dortmund e Leipzig vivem situações parecidas, afinal rendem R$ 1,00, de acordo com o OddsShark. Ou seja, nada. O Gladbach gera R$ 1,40. Atrás, na 5ª e 6ª posições estão Bayer Leverkusen e Schalke 04, com 47 e 37 pontos, contabilizando R$ 2,30 e R$ 66,00, respectivamente.

No G-6, que leva para a disputa da Liga Europa, a cota do Leverkusen é de R$ 1,06, enquanto que o Schalke rentabiliza R$ 2,25. Não podemos deixar o Gladbach de fora, com R$ 1,05. Por fora correm Wolfsburg, Freiburg e Hoffenheim, estimados em R$ 2,00, R$ 3,50 e R$ 4,00.

Quem cai para a Bundesliga 2?

Na Alemanha caem três equipes. Para o lanterna Paderborn, com 16 pontos, a cotação é de R$ 1,05, R$ 0,35 a menos que o vice-lanterna, o tradicionalíssimo Werder Bremen, que tem 2 pontos a mais. Na 16ª posição vem o Fortuna Dusseldorf, que tem 22 pontos e a cota de R$ 1,57. Hertha Berlin, Augsburg e Mainz pagam R$ 40,00, R$ 40,00, R$ 8,00 e R$ 4,00, respectivamente.

Artilharia

Atualmente, o topo da tabela de artilheiro da Bundesliga é comandada pelo polonês Robert Lewandowski, do Bayern de Munique, com 25 gols. O polaco gera R$ 1,20. Na cola dele, tendo R$ 4,00 para 1, vem o alemão Timo Werner, do RB Leipzig, com 4 gols a menos. No 3º lugar e mais distante está o inglês Jadon Sancho, do Borussia Dortmund. O britânico fez 14 gols e pode render R$ 150,00. Ele ser o artilheiro é bem improvável para esta temporada.

Palpites com odds da SpinSports:

Bayern de Munique campeão com odds a R$ 1,20.

Cotas para o título da Bundesliga 2019/2020:

– Bayern de Munique – R$ 1,20

– Borussia Dortmund – R$ 6,50

– RB Leipzig – R$ 9,00

– Borussia Monchengladbach – R$ 1,25

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quarta-feira, 6 de maio de 2020

Cotação do Flamengo para título da Libertadores de 2020 segue como a maior, veja os prognósticos

Ainda não há uma data definida para o retorno da competição sul-americana de clubes

Quem não está com saudades da Libertadores da América, não é mesmo? A bola não rola pelo principal torneio de clubes da América do Sul desde meados de março de 2020 em função da pandemia de Coronavírus (Covid-19). Ainda não sabemos, pelo menos publicamente, quando a Conmebol irá dar o aval para a pelota entrar em açãp. Mas, olha, enquanto não temos jogo, você pode dar o seu palpite nas melhores casas de apostas em relação a qual time irá ficar com o título. Já foram disputadas duas rodadas da fase de grupos.

Como apostar?

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Flamengo (R$ 3,80)

É completamente compreensível que o Flamengo ser o grande favorito na lista de outrights para faturar tricampeonato continental, estando cotado em R$ 3,80 a cada R$ 1,00 aplicado por você no Bodog. Estamos falando do atual campeão do torneio, sem deixar de citar também que os cariocas têm nas mãos o melhor elenco da América do Sul.  A permanência de Jorge Jesus, que tem boas chances de acontecer, será um trunfo e tanto para os rubro-negros. Outro detalhe que serve ainda mais a de motivação é que a final da Libertadores está programada para acontecer no Maracanã, casa do Mengão.

Nas duas primeiras rodadas da competição os flamenguistas venceram diante de Junior Barranquilla, da Colômbia (2 a 1), e Barcelona de Guayaquil, do Equador (3 a 0), ocupando a vice-liderança do Grupo A.

Boca Juniors (R$ 6,80)

Os xeneizes, com administração nova, vão tentando se reformular para voltarem a disputa do título. Eles começaram o torneio no Grupo H com o empate diante do Caracas, da Venezuela (1 a 1), e a vitória sobre o Independiente Medellín (3 a 0), da Colômbia, na segunda posição da chave. O fato de ser o vice favorito, com o valor de R$ 6,80, se deve muito por conta da força da equipe argentina e a sua tradição.

River Plate (R$ 7,00)

Vice-campeão em 2019 e um dos times que mais se fortaleceu nas últimas temporadas, o River Plate tem sempre que ser visto com respeito. Os millonarios deveriam até vir na frente do Boca, afinal têm feito muito mais que o rival no cenário continental. O valor de retorno é de R$ 7,00 para 1, como mostra o OddsShark. O trabalho do técnico Marcelo Gallardo, que só não ganhou o campeonato nacional, tem sido extraordinário. O River conta com 3 pontos na vice-liderança do Grupo D depois de ter estreado com derrota no Equador para a LDU (3 a 0) e a goleada sobre o Binacional, do Peru (8 a 0).

Palmeiras (R$ 7,80)

Para o Verdão, a conquista da Taça Libertadores da América têm sido a grande ambição de todos no clube. A missão fazer o título ir para São Paulo está nas mãos de Vanderlei Luxemburgo. O começo foi positivo, com triunfo sobre o Tigres, da Argentina (2 a 0), e Guaraní, do Paraguai (3 a 1). Hoje, o Porco é líder isolado do Grupo B. A última vez que os palmeirenses levantaram a taça foi em 1999. O fim do jejum alviverde está pagando R$ 7,80.

Como estão as cotações dos demais clubes brasileiros?

O competitivo Grêmio, de Renato Gaúcho, campeão em 2013, está sempre chegando nas fases finais do torneio. Os tricolores rendem R$ 9,60. Eles estão na segunda posição do Grupo E com 4 pontos, já que ganhou do América de Cali, da Colômbia (2 a 0) e empate sem gols com o Internacional.

Rentabilizando R$ 10,50, segundo o OddsShark, o Santos, por sua vez, mostrou antes da parada que estava finalmente entrando nos trilhos sob o comando do técnico português Jesualdo Ferreira. O Peixe, líder do Grupo G, derrotou Defensa y Justicia, da Argentina (2 a 1), e Delfín, do Equador (1 a 0).

O Internacional, líder do Grupo E, com o empate diante do Grêmio – como vimos anteriormente – e vitória sobre a Universidad Católica, do Chile (3 a 0), vinha deixando boas impressões para a imprensa e torcedores, podendo gerar R$ 13,00 para 1. O técnico Eduardo Coudet faz bom trabalho no Beira-Rio com o seu futebol ofensivo, para frente.

Outro time que vinha numa crescente bem legal é o São Paulo, de Fernando Diniz, com o seu futebol para frente e ofensivo. Na abertura da Liberta, derrota de 2 a 1 para o Binacional, e depois vitória de 3 a 0 diante da LDU. Os tricolores ocupam o segundo lugar do Grupo D e podem rentabilizar R$ 16,50 para 1.

Para fechar, temos o Athletico Paranaense. O Furacão passa por um processo de reestruturação depois de perder jogadores importantes e o técnico Tiago Nunes. O comando do time está com Dorival Júnior. A formação de Curitiba está na vice-liderança do Grupo C, tendo vencido o Peñarol, do Uruguai, por 1 a 0, e perdido pelo mesmo placar para o Colo-Colo, do Chile. De todos os times brasileiros, este é considerado o mais azarão, gerando R$ 19,00.

Palpites com odds do Bodog:

Palmeiras campeão com R$ 7,80 para 1.

Confira todas as cotas para a Libertadores 2020:

– Flamengo – R$ 3,80

– Boca Juniors – R$ 6,80

– River Plate – R$ 7,00

– Palmeiras – R$ 7,80

– Racing – R$ 9,00

– Grêmio – R$ 9,60

– Santos – R$ 10,50

– Nacional – R$ 10,50

– Internacional – R$ 13,00

– Guaraní – R$ 14,50

-Alianza Lima – R$ 15,00

– São Paulo – R$ 16,50

– Athletico Paranaense – R$ 19,00

– Independiente Del Valle – R$ 19,00

– Peñarol – R$ 19,50

– LDU – R$ 22,00

– Libertad – R$ 22,00

– Olímpia – R$ 24,00

– Jorge Wilstermann – R$ 34,00

– Colo-Colo – R$ 38,00

– América de Cali – R$ 40,00

– Tigre – R$ 40,00

– Universidad Católica – R$ 40,00

– Caracas – R$ 40,00

– Bolívar – R$ 40,00

– Junior Barranquilla – R$ 42,00

– Barcelona – R$ 42,00

– Binacional – R$ 50,00

– Defensa y Justicia – R$ 80,00

– Independiente Medellín – R$ 90,00

– Delfín – R$ 90,00

– Estudiantes de Mérida – R$ 100,00

– Palestino – R$ 100,00

 

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segunda-feira, 4 de maio de 2020

Paul ‘Sayal’ Moukila: o “diamante” congolês!

Bola de Ouro da África em 1974, um dos maiores jogadores do seu país e do continente

Quando falamos do Congo, muitos têm na mente, apenas a República Democrática do Congo, importante centro futebolístico do coração africano e que num passado era, o país, denominado Zaire; participante da Copa do Mundo de 1974, inclusive tendo enfrentado a Seleção Brasileira naquele Mundial. A República Democrática do Congo carrega consigo uma série de participações nas fases finais da Copa Africana das Nações é também do país, a famosa e potente força clubística do Continente, o TP Mazembe, além de ter muitos jogadores espalhados pela Europa.

Entretanto, antes da consolidação do Zaire, como uma força futebolística da África, brilhou no Continente, o futebol praticado no Congo, com uma geração muito talentosa, que obteve conquistas importantes dentro do Continente. E entre os nomes de destaque desta geração, temos Paul ‘Sayal’ Moukila, considerado um dos grandes atacantes do futebol africano e o maior do seu país. Nascido em 6 de junho de 1950, em Souanké, no departamento de Sangha, Congo.

Na base, ‘Sayal’ jogou inicialmente no AS Bantous e no Inter Club, tradicional clube ligado ao exército nacional. Em 1971 Moukila estreia na equipe principal do Club Athletic Renaissance Aiglon (CARA), um dos maiores clubes do Congo, popularmente conhecido como CARA Brazzaville. Campeão nacional em 1972/1973 e 1974. Em 1972, anotou 40 gols no Campeonato Congolês, recorde que ainda não foi superado. Em 1974, foi artilheiro, com 10 gols e um dos líderes do CARA Brazzaville na conquista da Liga dos Campeões da África, na única conquista de um clube congolês na história do principal interclubes do continente, quando venceram nas finais, o Ghazl El Mahalla, do Egito. Tal protagonismo, lhe deu destaque internacional e o prêmio de Bola de Ouro do futebol africano, concedido pela revista francesa France Football.

Em 1974, ‘Sayal’ Moukila ganhou a Bola de Ouro da France Football como jogador africano do ano (Foto: arquivo – France Football)

Moukila era oficial do Exército Popular Nacional (APN) do Congo e em 1975, foi enviado para um curso de treinamento militar na França. Tal oportunidade abriu as portas para sua carreira no futebol francês, assinando contrato com Racing Club de Strasbourg, onde jogou entre 1975 e 1976, quando retornou para o Congo, defendendo novamente o CARA Brazzaville. No começo dos anos 80 retornou ao futebol francês, defendendo entre 1981 e 1983, o Stade Français; entre 1983 e 1985, o CS Fontainebleau e de 1986 a 1988, o USM Malakoff, clube onde dividiu a função de jogador e treinador até encerrar sua carreira em 1988.

No Racing Strasbourg, a primeira experiência na Europa (Foto: reprodução)

A história na Seleção do Congo

Talentoso, forte fisicamente, veloz e com ótimo senso goleador, Moukila jogou 93 partidas pela Seleção do Congo entre 1971 e 1978. Em 1971 foi convocado pela primeira vez, durante as Eliminatórias para a fase final da Copa Africana das Nações de 1972. Fez um gol decisivo na vitória sobre a Costa do Marfim, naquelas eliminatórias, além dos marfinenses, os congoleses viriam a eliminar a Nigéria.

Muito jovem, Moukila já jogava na seleção congolesa (Foto: reprodução)

Na fase final, disputada em Camarões, Moukila fez o gol do empate (1×1) ante o Marrocos, na estreia da principal competição entre seleções da África. Veio a perder a condição de titular na seleção durante a CAN, voltando a titularidade na grande finalíssima ante Mali, vencida por 3×2 pelo Congo, com grande atuação de M’Bono e de François M’Pelé (um dos maiores jogadores da história da África e que já foi tema da nossa coluna, veja aqui).

Em 1974, no seu melhor ano individual, Paul Moukila já era um dos astros do selecionado, que acabou ficando com a quarta colocação na CAN disputada no Egito. Em 1976, estava na seleção que acabou parando na Nigéria, ainda nas eliminatórias. Seu último gol pela seleção congolesa foi no dia 17 de julho de 1977 na importante vitória por 3×2 ante o Gabão, em jogo crucial que colocou os congoleses na fase final da Copa Africana das Nações de 1978.

Os heróis de 1972, quando o Congo escreveu seu nome na galeria dos campeões (Foto: reprodução)

Pós futebol

Após parar de jogar profissionalmente, Paul ‘Sayal’ Moukila retornou para seu país, no final dos anos 80. O que deveria ser uma aposentadoria tranqüila, infelizmente acabou sendo algo conturbado com brigas com amigos, em função de negócios mal administrados em diversas instâncias.

Moukila retorna para a França, passando a viver em Meaux e provavelmente ao retornar de uma viagem ao Congo, contraiu malária, vindo a falecer precocemente no dia 24 de maio de 1992, deixando dois filhos: Fraisnel  e Noel Moukila, que chegou a jogar profissionalmente, com passagem pelo Stade Reims e também pela seleção congolesa em 2007 (dois jogos). O corpo de ‘Sayal’ está sepultado no Cemitério Central de Brazzaville com honras de chefe de estado, além disso há uma avenida na capital que leva seu nome.

Em Brazzaville, Moukila segue imortalizado (Foto: reprodução)

Paul ‘Sayal’ Moukila é um dos grandes nomes do futebol africano, deixou um legado para seu país, seja pelas conquistas individuais, seja pelo modo com que sempre honrou a camisa dos “Diabos Vermelhos” do Congo e está na história, abraçado e admirado pelo seu povo.

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sexta-feira, 1 de maio de 2020

Evolução da Gestão pode salvar o Bahia de crise financeira após a pandemia

Muitos países passam por uma situação inusitada, raras vezes vivida na história, uma pandemia que tem ceifado vidas humanas e impactado drasticamente na economia mundial.

No futebol não tem sido diferente. A paralisação obrigatória dos eventos esportivos fez com quem os clubes sofressem impactos nas suas receitas, sejam elas por “match day”, patrocínios, marketing, sócio torcedor, direitos de transmissão ou até mesmo na venda de jogadores.

No Brasil, por exemplo, os clubes da elite do futebol têm sofrido fortes impactos financeiros, alguns deles já trabalham com a redução salarial dos atletas conforme Medida Provisória emitida pelo Governo Federal, ademais, a maioria dos jogadores do futebol brasileiro, concentrados nos clubes de menor porte, sofrem com os impactos financeiros e têm os seus contratos encerrados por falta de recursos dos clubes para a manutenção dos mesmos.

A pandemia e a paralisação, por consequência, impactam ainda no calendário do futebol brasileiro. Com a incerteza do retorno dos Estaduais, estes clubes de menor expressão – geralmente dos interiores destes Estados – têm liberado os jogadores por falta de recursos financeiros para mantê-los e, inclusive, muitos destes atletas possuíam contratos apenas durante o período das competições regionais.

Bilheterias, Patrocínios Pontuais, Cotas de TV e Negociação de Atletas, os ativos mais atingidos

Alguns ativos das receitas anual dos clubes são fortemente atingidos com a pandemia da COVID-19. Ao citar a paralisação dos jogos, os clubes têm perdido receitas com o que chamamos de “match day” (os dias de jogos) e com as bilheterias, ativo que não deve mais gerar receita em 2020, pois, provavelmente, não teremos público nos eventos esportivos até o término da temporada.

Os patrocínios pontuais, que muitos clubes utilizaram nos últimos anos, com essa queda da economia, em geral, deixam de investir no futebol e, por consequência, nas suas próprias marcas. Além destes, o dinheiro dos direitos de transmissão (cotas de TV) que salva a vida financeira de muitos clubes do Brasil, ainda não caiu nos cofres dos mesmos, por que as detentoras desses direitos não realizaram os pagamentos conforme previsto caso houvesse à normalidade.

Outro ativo que auxilia aos clubes do futebol brasileiro é a venda de atletas, visto que, a vitrine que é o Brasil ao produzir bons talentos para o futebol mundial e, os europeus, em larga escala, captam atletas do nosso território. Após a pandemia, as negociações de jogadores deverão ser diferentes e com valores menos absurdos do que se trabalham atualmente, ou até mesmo uma redução drástica na quantidade de atletas envolvidos nessas transições, em que pese uma atual desvalorização do real perante o dólar e o euro.

Referência em Gestão, o Bahia pode sofrer menos as consequências financeiras

A realidade é que todos os clubes do futebol brasileiro sofrerão impactos financeiros com a pandemia, estima-se uma queda entre 20% a 30% nas receitas em comparação com a temporada anterior. Entretanto, a expectativa é para que àqueles com uma gestão financeira mais equilibrada sofram menos as consequências. É óbvio que se trata de projeções, porém, por exemplo, ao trazer para a realidade na cidade do Salvador, o Bahia possui uma gestão que tem sido referência para outros clubes do cenário nacional.

O Bahia demonstra evolução na sua Gestão e, por consequência, reflete dentro das quatro linhas. O Tricolor, a cada ano, tem se firmado na elite do futebol brasileiro, fator que mantém também uma linearidade das receitas – sobretudo nas cotas dos direitos de transmissão – além de conseguir potencializar o time com contratações de atletas que podem agregar muito valor ao elenco.

Nos últimos dias, o Bahia divulgou o balanço financeiro da temporada anterior que culminou em uma ascensão de 39% das receitas, fechando o ano de 2019 com aproximadamente R$ 190 milhões, recorde na história do clube.

Fonte: Balanço do Bahia / Elaboração: Pluri Consultoria

Em comparação com o ano de 2018, o Bahia conseguiu ascender os números em todos os âmbitos de receitas possíveis: vendas de atletas, bilheterias, direitos de transmissão e marketing. Pelo segundo ano consecutivo, assume a alcunha de ser o clube do Nordeste com o maior número de receita, se aproximando a alguns clubes mais tradicionais do futebol brasileiro.

Negociação de atletas: um ativo com valores históricos para o Bahia

A venda de jogadores tem sido crucial para muitos clubes do futebol brasileiro manter a sua saúde financeira regular, porém não se deve ter este ativo como recurso principal, afinal de contas, nem todos os anos surgirão um Neymar ou Vinícius Júnior, até mesmo um Zé Rafael, Anderson Talisca ou um Lucas Ribeiro ao trazer para a realidade do futebol baiano.

Ainda assim, o Bahia apresentou números impactantes em 2019. No quesito venda de jogador, o Tricolor arrecadou R$ 45 milhões, equivalente ao somatório da receita dos últimos 05 anos do clube neste ativo. Adquirir jogadores em potencial com um baixo valor de mercado para somar tecnicamente dentro das quatro linhas e, quem sabe, fazer caixa com possíveis negociações dos mesmos tem sido uma prática do clube. O meio-campista Zé Rafael – atualmente no Palmeiras – e o volante Gregore, que também é desejado pelo próprio clube paulista, são exemplos.

Fonte: Balanço do Bahia / Elaboração: Pluri Consultoria

A venda de Zé Rafael para o Palmeiras está na história do clube como a maior transação ao arrecadar R$ 14,5 milhões. Em 2017, o Bahia adquiriu os direitos federativos do meio-campista junto ao Londrina por uma cifra de R$ 500 mil. É fato que a pandemia vai afetar aos clubes financeiramente, porém o Bahia pode ainda em 2020 bater este recorde com uma possível venda de Ramires (R$ 30 milhões) ao Basel-SUI, números estes, não contabilizado ainda pelo clube.

Torcida tem poder! E o clube deve utilizá-la ao seu favor

Historicamente, a força da torcida do Bahia expande fronteiras pelo Brasil e por onde quer que a equipe vá atuar é certeza de que contará com a presença do seu público. É comum acompanhar jogos do tricolor baiano com a Arena Fonte Nova lotada, por consequência, sempre entre os destaques no quesito média de público, porém essa força da torcida pouco tivera sido tão bem aproveitada como na gestão atual.

O Bahia teve um aumento financeiro vindo diretamente do seu torcedor (PPV, sócio torcedor, compra de artigos esportivos do clube) em 54%, para algo em torno de R$ 73 milhões.

Fonte: Balanço do Bahia / Elaboração: Pluri Consultoria

O Bahia também conseguiu elevar os números de receita quanto aos direitos de transmissão. Em comparação com 2018, o percentual não é tão elevado até por que se mantém uma média de valores arrecadados pelos clubes em negociação com as detentoras de transmissão, mas, ainda assim, o Bahia elevou estes números em 7%, para algo em torno de R$ 80 milhões.

Nos últimos 05 anos, o Bahia conseguiu arrecadar R$ 359 milhões com os direitos de transmissão junto às detentoras e é óbvio que a manutenção na divisão de elite do futebol brasileiro somada às boas campanhas e disputas em competições internacionais ajudaram a elevar o patamar do clube neste ativo. Por tal, citamos a fundamental importância da manutenção dos clubes em ascensão na Série A do Campeonato Brasileiro.

Fonte: Balanço do Bahia / Elaboração: Pluri Consultoria

As boas exibições da equipe tricolor nos últimos anos – inclusive com conquistas em Copa do Nordeste e Estadual – também fizeram alavancar os números do clube arrecadados com o Marketing. Apoio às grandes causas, fundo para os jogadores históricos, a criação da marca própria (Esquadrão) e a loja de artigos esportivos localizada no estádio da Arena Fonte Nova facilitaram a elevação dos números de receita com este ativo.

O Bahia arrecadou R$ 16 milhões em Marketing no ano de 2019 – R$ 7 milhões a mais do que em 2018 – números que representam um crescimento de 68% no ativo. Nos últimos 05 anos, arrecadou com o Marketing um valor de R$ 52 milhões.

Fonte: Balanço do Bahia / Elaboração: Pluri Consultoria

É fundamental reiterar que o Bahia sentirá impactos financeiros por conta da pandemia do COVID-19, assim como todos os outros clubes do futebol brasileiro, quiçá, se expanda a todos do futebol mundial. A dupla Ba-Vi, inclusive, extinguiu as suas equipes de transição (com atletas do sub-23 que disputavam o Estadual) por objetivo a redução dos custos neste momento de paralisação – e incerteza, diria – do futebol.

Outras tomadas de decisões estão sendo adotadas pelos clubes do futebol brasileiro, por exemplo, a redução de salários dos funcionários, sobretudo dos próprios atletas e direção administrativa – o Bahia reduziu em 25% o salário dos jogadores, porém manteve os salários das atletas do futebol feminino integral.

Contudo, ao afetar a economia mundial e, por consequência, os padrões econômicos do futebol, a pandemia faz com quê os clubes, obrigatoriamente, busquem se reinventar para manter saudável a situação financeira dos mesmos ou, no mínimo, sentir menos os impactos financeiros. Um possível equilíbrio nas finanças pode traduzir para os clubes grandes feitos dentro de campo assim que essa pandemia passar e puder voltar às atividades normais.

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